Brasília – O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou, nesta quinta-feira (14/05/2026), que o dinheiro captado para o longa-metragem “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, não foi direcionado ao irmão Eduardo Bolsonaro. “Isso é mentira, é ilação”, declarou em entrevista à GloboNews.
Reportagens veiculadas após denúncia de parlamentares governistas apontaram que a Polícia Federal teria aberto investigação para apurar se Eduardo recebeu aproximadamente US$ 2 milhões do montante destinado ao filme. A PF não confirmou a existência do inquérito.
Fundo nos EUA e advogado gestor
Segundo Flávio, todos os recursos doados pelo banqueiro Daniel Vorcaro ingressaram em um fundo específico da produção, criado nos Estados Unidos, e são fiscalizados naquele país. Ele explicou que o advogado citado nas matérias atua apenas como gestor do fundo “por ser pessoa de confiança”.
“Não é algo que vai fazer um caminho e chegar no Eduardo”, sustentou o senador. “O dinheiro é privado e foi integralmente para o filme.”
Áudio e troca de mensagens
Na véspera da prisão de Vorcaro, um áudio divulgado pelo The Intercept Brasil revelou Flávio cobrando parcelas combinadas com o banqueiro. O parlamentar não contestou o teor das gravações, mas afirmou que “um filho estava buscando patrocínio privado para um filme privado”.
O deputado federal Mário Frias (PL-SP) declarou inicialmente que a verba de Vorcaro não havia sido utilizada no projeto; um dia depois, adotou tom cauteloso e disse que o assunto ainda está sendo esclarecido.
“Jeito carioca” de falar
Sobre expressões como “irmãozão” e “tamo junto”, usadas nas mensagens a Vorcaro, Flávio disse que se trata de seu “modo carioca” de se comunicar e negou proximidade com o empresário. O senador afirmou ter rompido a relação após o não cumprimento de parcelas acertadas e após surgirem denúncias contra o investidor.
Nota oficial reforça versão
Em comunicado divulgado à noite, Flávio reiterou que:
- sua participação limitou-se a buscar investimento privado para o filme;
- não houve utilização de recursos públicos, Lei Rouanet ou qualquer contrapartida ligada ao mandato;
- os aportes foram formalizados antes de as acusações contra Vorcaro virem a público, em 2024;
- quando os pagamentos cessaram e as denúncias surgiram, a parceria foi encerrada.
O senador também cobrou investigação rigorosa dos fatos e defendeu a criação de uma CPI para apurar o caso Master, que envolve o mesmo banqueiro.
Com informações de Gazeta do Povo