Parlamentares de diferentes correntes intensificaram nesta quinta-feira, 14 de maio de 2026, a mobilização para instaurar comissões de inquérito destinadas a investigar o Banco Master. O movimento ganhou fôlego após denúncias que envolvem o senador Flávio Bolsonaro e suspeitas de fraudes em fundos de pensão.
Três frentes de investigação
Os requerimentos protocolados no Legislativo miram três pontos centrais:
- supostas fraudes financeiras praticadas pelo banco;
- irregularidades em operações com o Banco Regional de Brasília (BRB);
- uso indevido de recursos de fundos de previdência municipais e estaduais, além da conformidade das operações de alavancagem com regras do Banco Central.
Quem lidera os pedidos
Na Câmara dos Deputados, Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) apresentou pedido de CPI voltado ao BRB. No Senado, Alessandro Vieira (Cidadania-SE) é o autor de requerimento que busca apurar fraudes em fundos de pensão. Paralelamente, o deputado Carlos Jordy (PL-RJ) articula uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que reuniria deputados e senadores.
Posições dos blocos políticos
A oposição pressiona pela instalação imediata das comissões, alegando “relações obscuras” entre o banco e agentes públicos. Governistas demonstram resistência, temendo que a investigação se transforme em palanque eleitoral, e defendem um formato “estritamente técnico”. Já o Centrão monitora o impacto político e admite que o inquérito pode ser inevitável caso o tema continue travando a pauta legislativa.
Trâmite jurídico
Embora os requerimentos tenham número suficiente de assinaturas, a abertura das CPIs depende da leitura em plenário e do despacho dos presidentes da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG). Diante da demora, Alessandro Vieira ingressou com mandado de segurança no Supremo Tribunal Federal (STF) para obrigar a instalação das comissões. O processo aguarda decisão do ministro Kassio Nunes Marques.
Defesa de Flávio Bolsonaro
Aliados do senador Flávio Bolsonaro afirmam apoiar a CPMI para “esclarecer os fatos”, mas acusam o governo de tentar barrar o avanço das investigações. Eles minimizam recentes tentativas de obter patrocínio privado para produções audiovisuais, sustentando que pedidos de investimento a bancos são prática comum e que o episódio estaria sendo usado politicamente pela esquerda.
Com as articulações em curso, a instalação ou não das comissões deve permanecer no centro das negociações entre líderes partidários nas próximas sessões do Congresso.
Com informações de Gazeta do Povo