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Projeto prevê que FGC cubra integralmente perdas de fundos de previdência no colapso do Banco Master

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Brasília — O senador Renan Calheiros (MDB-AL) apresentou, em 6 de julho, projeto de lei que obriga o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) a restituir 100% dos valores aplicados por regimes próprios de previdência e entidades de previdência complementar de estados e municípios em títulos do Banco Master, liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025.

Hoje, o FGC funciona como um seguro bancário cuja cobertura é limitada a R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição ou conglomerado. A proposta de Calheiros cria uma regra específica para os fundos previdenciários atingidos pelo caso Master, garantindo a devolução total dos recursos.

Alvos da medida

Dados do Ministério da Previdência apontam 18 fundos de pensão de servidores públicos expostos a papéis do banco. O maior é o Rioprevidência, do Rio de Janeiro, com cerca de R$ 3 bilhões investidos; em seguida aparece o Amprev, do Amapá, com aproximadamente R$ 400 milhões.

Investigação da Polícia Federal indica que o ex-governador fluminense Cláudio Castro (PL-RJ) teria pressionado a direção do Rioprevidência a manter os aportes, apesar de alertas contrários, tema central da Operação Compliance Zero que apura fraudes atribuídas ao banqueiro preso Daniel Vorcaro.

Justificativa do senador

Ao defender o texto, Calheiros afirmou na TV Senado que “não é justo que segurados arquem com prejuízos decorrentes de irregularidades ou má gestão”, e ressaltou que a nova cobertura não anula a responsabilização de gestores que tenham agido com dolo ou má-fé.

Efeitos previstos

O projeto elenca quatro consequências principais:

  • cobertura integral das aplicações dos fundos de previdência no Banco Master;
  • proteção de aposentados e pensionistas contra perdas financeiras;
  • manutenção da confiança no sistema financeiro;
  • prosseguimento de investigações e punição a eventuais responsáveis.

Calheiros também cobrou maior rigor da Previc e do Banco Central sobre fundos de pensão e instituições financeiras. “A Previc e o Banco Central não podem permitir que se repita essa roubalheira com os fundos previdenciários”, declarou.

Impacto financeiro já arcado

Até o momento, o FGC desembolsou cerca de R$ 40,6 bilhões para ressarcir credores do Conglomerado Master (Banco Master, Master Investimento e LetsBank), valor que corresponde a 96% do total estimado de mais de R$ 41 bilhões, beneficiando mais de 690 mil investidores.

O projeto foi protocolado na Mesa Diretora do Senado e aguarda encaminhamento do presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), para começar a tramitar nas comissões temáticas.

Com informações de Gazeta do Povo