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Washington ouve setor produtivo brasileiro e Flávio Bolsonaro antes de possível sobretaxa de 25%

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Brasília/Washington – O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) inicia nesta segunda-feira, 6 de julho, duas audiências públicas que vão embasar a decisão da Casa Branca sobre a aplicação de uma nova tarifa de 25% às exportações brasileiras. Ao todo, 14 painéis serão realizados até terça-feira (7) em Washington.

A lista de inscritos reúne representantes de entidades empresariais brasileiras, companhias que vendem ao mercado norte-americano e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), acompanhado do influenciador Paulo Figueiredo. Ambos pretendem defender a rejeição da medida, que, segundo eles, poderia favorecer a campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Quem participa pelos dois lados

Pelo Brasil, confirmaram presença Confederação Nacional da Indústria (CNI), Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Confederação da Agricultura e Pecuária (CNA), Abimaq, Cecafé, Abicalçados e empresas como Weg, Bauducco, Nestlé, Coca-Cola e Suzano.

No bloco contrário, entidades norte-americanas ligadas aos setores agropecuário e siderúrgico — entre elas o R-CALF USA e a Associação de Fabricantes de Aço dos Estados Unidos — defendem o endurecimento das barreiras comerciais.

Pontos levantados por Washington

O relatório da investigação concluída em junho pelo USTR elenca, entre outros, os seguintes motivos para a possível sobretaxa:

  • decisões judiciais brasileiras que afetam plataformas digitais dos EUA e a expansão do Pix;
  • vantagens tarifárias concedidas em acordos específicos firmados pelo Brasil;
  • políticas de etanol vistas como desfavoráveis ao produto norte-americano;
  • críticas à proteção de propriedade intelectual, combate à pirataria e demora na concessão de patentes;
  • questionamentos sobre fiscalização ambiental e ações anticorrupção.

Articulação do governo brasileiro

Enquanto ocorrem as audiências, Brasília busca alternativas diplomáticas e técnicas para evitar a tarifa. Entre as propostas avaliadas está a redução de impostos de importação sobre itens norte-americanos que não têm produção local.

Impacto nas exportações

Dados da Secretaria de Comércio Exterior indicam que, em junho, o valor das exportações brasileiras para os Estados Unidos subiu 3,7% — o primeiro avanço desde o “tarifaço” anterior, em julho de 2025. Contudo, o volume embarcado caiu 6,6%, o que sugere aumento no preço médio dos produtos.

Além da nova alíquota de 25%, o relatório do USTR menciona supostas falhas no combate ao trabalho forçado, o que poderia elevar a sobretaxa total para 37,5%. A decisão final dependerá da análise das defesas apresentadas nas audiências desta semana.

Com informações de Gazeta do Povo