O Brasil registrou um salto sem precedentes nos pedidos de recuperação judicial em 2025, reacendendo o debate sobre a saúde das empresas e pressionando a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no encerramento de seu mandato.
Juros altos, impostos maiores e gasto público em foco
Especialistas apontam três fatores principais para a escalada das recuperações: taxa de juros elevada, aumento da carga tributária e expansão das despesas governamentais. Esse conjunto, afirmam analistas, reduziu a confiança dos investidores, encareceu o crédito para famílias e companhias e limitou a capacidade das empresas de honrar compromissos financeiros.
Ícones do varejo e da indústria entre os afetados
Marcas tradicionais do mercado brasileiro recorreram ao Judiciário para tentar sobreviver. O Grupo Pão de Açúcar (GPA) entrou em recuperação extrajudicial para renegociar R$ 4,5 bilhões em dívidas. Também buscam proteção legal a Bombril, referência em produtos de limpeza; a Brinquedos Estrela; e a rede de móveis e decoração Tok&Stok, todas pressionadas pela queda do consumo e pelo custo elevado dos empréstimos.
Números superam picos do passado
Depois do auge verificado em 2016, no fim do governo Dilma Rousseff, o total de empresas em crise vinha caindo durante as administrações de Michel Temer e Jair Bolsonaro, atingindo 833 casos em 2022. A tendência se inverteu a partir de 2023: os pedidos saltaram para mais de 5,2 mil em 2025, o que representa aumento de 276% no atual mandato.
Estatais também sofrem
A deterioração alcança empresas públicas. Os Correios contabilizaram prejuízo de R$ 8,5 bilhões somente em 2025 e dependem de empréstimos garantidos pelo Tesouro Nacional para manter investimentos básicos, ampliando a pressão sobre as contas federais.
Cenário desafiador para 2027
Projeções de mercado indicam que o volume de falências pode continuar avançando até 2027. Analistas avaliam que o próximo governo terá de adotar forte ajuste fiscal; caso contrário, uma combinação de inflação alta e juros ainda maiores poderá prolongar as dificuldades das empresas e atrasar a recuperação do emprego.
Com informações de Gazeta do Povo