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Estados Unidos incluem PCC e Comando Vermelho na lista de grupos terroristas e provocam embate político no Brasil

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Washington (EUA) – O Departamento de Estado norte-americano anunciou nesta quinta-feira (28) a inclusão do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) na lista de organizações terroristas internacionais. A medida, assinada pelo secretário de Estado Marco Rubio, ocorre um dia após a passagem do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pela Casa Branca, onde ele solicitou formalmente a classificação durante reuniões com Rubio e com o presidente Donald Trump.

O governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vinha tentando evitar a decisão desde 2025, argumentando que, de acordo com a legislação brasileira, as facções praticam crimes comuns em busca de lucro, sem motivação política ou ideológica, requisito previsto na Lei Antiterrorismo. O Palácio do Planalto também sustenta que o rótulo pode abrir caminho para eventuais ações militares estrangeiras em território nacional.

Repercussão eleitoral

Pré-candidato ao Planalto em 2026, Flávio Bolsonaro comemorou a classificação. Em vídeo divulgado nas redes sociais, afirmou ter “feito mais pela segurança dos brasileiros” do que Lula “em 17 anos de mandato” e prometeu, se eleito, aderir o Brasil ao Escudo das Américas — aliança de combate ao crime organizado que reúne governos de direita como Argentina, El Salvador e Paraguai.

Para o professor de Relações Internacionais Gunther Rudzit, da ESPM, a decisão representa “uma derrota política e diplomática” para o presidente brasileiro, pois contraria solicitação direta feita por Brasília a Washington. Já o estrategista eleitoral Roberto Reis avaliou, na rede X, que Lula fica em “zugzwang”: qualquer reação poderá ser explorada por adversários.

Posicionamento do governo brasileiro

Até o fechamento desta edição, o Ministério das Relações Exteriores não havia se pronunciado. Em Moscou, o assessor internacional Celso Amorim afirmou ao site Poder360 que “equiparar crime organizado a terrorismo não ajuda” e que a cooperação deve ocorrer “sem pretexto para intervenção”.

Impacto econômico e jurídico

O professor Oliver Stuenkel, da FGV, alertou para reflexos sobre empresas brasileiras com operações nos EUA, uma vez que sanções financeiras podem ser aplicadas a quem mantiver vínculos com grupos terroristas. O penalista Vladimir Aras acrescentou que instituições financeiras passam a ter obrigações mais rígidas de reportar transações suspeitas, visando impedir lavagem de dinheiro e financiamento ao terrorismo.

A decisão alinha PCC e CV a organizações como Al Qaeda e Hezbollah na legislação antiterror norte-americana, possibilitando bloqueio de bens, restrições de visto e acusações criminais contra integrantes e colaboradores.

Com informações de Gazeta do Povo