Brasília – O procurador-geral da República, Paulo Gonet, afirmou nesta quarta-feira, 12 de novembro de 2025, que a Procuradoria-Geral da República “não faz denúncias precipitadas” e só atua após “minucioso exame” dos casos sob investigação. A declaração foi dada durante sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, etapa necessária para sua recondução ao cargo, indicada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Segundo Gonet, antes de qualquer medida que interfira em direitos fundamentais de investigados, a PGR avalia “o grau de intervenção na esfera dos direitos básicos” e a “necessidade da providência” para esclarecer fatos de relevância penal. “Da PGR não saem denúncias precipitadas”, reforçou.
Busca por “esmero técnico”
O chefe do Ministério Público Federal destacou que sua gestão prioriza a eficiência jurídica, sem ceder a pressões externas. “A legitimidade da atuação do procurador-geral da República não se afere pela satisfação das maiorias ocasionais, mas pela racionalidade jurídica dos seus posicionamentos”, disse. Ele também ressaltou que suas manifestações ocorreram “invariavelmente nos autos, sem vazamento nem comentários públicos que prejudiquem a imagem ou a presunção de inocência dos investigados”.
Processos e relacionamento com o Senado
Durante a apresentação de resultados, Gonet informou ter recebido 37 senadores em mais de 50 reuniões desde dezembro de 2023 e relatou que, entre janeiro de 2024 e julho de 2025, a PGR foi demandada em mais de 8 mil processos em diferentes áreas penais.
O relator da indicação, senador Omar Aziz (PSD-AM), avaliou não haver impedimentos para a recondução e elogiou o papel de Gonet na “pacificação interna” do Ministério Público, além da condução dos casos relacionados aos atos de 8 de janeiro de 2023.
Votação no plenário ainda hoje
Concluída a sabatina, o parecer da CCJ será submetido ao plenário do Senado em sessão marcada para as 14h desta quarta. Se aprovado, Gonet assumirá novo mandato à frente da PGR.
Atuação em casos de 8 de janeiro
No Supremo Tribunal Federal, o procurador-geral dividiu os acusados pelos atos de 8 de janeiro em quatro núcleos e classificou os eventos como “teatro do golpe”. Entre os denunciados, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi apontado como líder do suposto plano e recebeu pedido de condenação a 27 anos e três meses de prisão.
Gonet destacou ainda que o sigilo judicial “foi sempre obedecido de modo absoluto, e assim continuará a ser” caso seja confirmado para mais um período no comando da Procuradoria.
Com informações de Gazeta do Povo