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Em discurso sobre “tarifaço”, Lula erra destino de delator da Inconfidência e motiva reação de Flávio Bolsonaro

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Brasília – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou nesta terça-feira (2) os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro como “traidores da pátria” por, segundo ele, terem pedido aos Estados Unidos um aumento de tarifas contra o Brasil. Durante o mesmo pronunciamento, feito no hospital universitário de Catalão, em Goiás, Lula citou o delator da Inconfidência Mineira, Joaquim Silvério dos Reis, afirmando que o personagem histórico teria sido enforcado por muito menos — o que não corresponde aos registros oficiais.

“Esses filhos do Bolsonaro conseguem ser piores que ele. São vendilhões da pátria, traidores. Por menos que isso, Joaquim Silvério dos Reis, delator de Tiradentes, foi enforcado em praça pública. O que merecem os traidores da pátria?”, declarou o presidente.

Erro histórico

Silvério dos Reis não foi executado. Após denunciar o movimento liderado por Tiradentes em 1789, teve dívidas perdoadas pela Coroa portuguesa e viveu até 1819, quase três décadas depois do enforcamento de Tiradentes, ocorrido em 1792.

Reação no Senado

Minutos após o discurso, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) anunciou que ingressará com notícia-crime no Supremo Tribunal Federal (STF), alegando que Lula incitou violência contra ele e seus irmãos. A defesa do parlamentar sustenta que a fala presidencial estimula hostilidade física.

Contexto do “tarifaço”

O pronunciamento de Lula ocorreu no dia seguinte à divulgação preliminar de investigação conduzida pelos Estados Unidos sob a Seção 301, procedimento que pode levar à elevação de tarifas sobre produtos brasileiros. Em nota, o Palácio do Planalto classificou a iniciativa norte-americana como “unilateral” e de motivação política, atribuindo ao senador Flávio Bolsonaro tentativa de “sabotagem” contra o governo federal. O parlamentar nega envolvimento e comunicou ter enviado carta às autoridades dos EUA para refutar a acusação.

Até o fechamento desta edição, a Presidência da República não se manifestou sobre o erro histórico cometido por Lula.

Com informações de Gazeta do Povo