Brasília — A saída de Daniel Vorcaro da sala com status de Estado-maior na Superintendência da Polícia Federal (PF) para uma cela convencional, na segunda-feira, 18 de maio, foi interpretada por investigadores da Operação Master como indício de enfraquecimento nas tratativas para sua delação premiada.
Desde março, o ex-banqueiro ocupava o espaço especial na expectativa de firmar colaboração. Agora, passou a cumprir rotina padrão da custódia da PF, sem ar-condicionado ou frigobar, com regras mais rígidas para horários, visitas e acesso de advogados. A cela é provisória; se o acordo fracassar, Vorcaro pode ser transferido nos próximos dias para o Centro de Detenção Provisória conhecido como Papudinha ou, ainda, para o sistema penitenciário federal.
Conteúdo considerado raso
Fontes ligadas às investigações afirmam que o material entregue pela defesa foi classificado como superficial e repetitivo, sem comprovações inéditas em relação às sete fases já deflagradas da operação. Há suspeita de que nomes influentes — deputados, senadores, ministros do STF, líderes governistas e figuras do setor financeiro — estejam sendo poupados. A hipótese de envolvimento até do crime organizado também é apurada.
Pressão aumentou com prisão do pai
A situação do ex-controlador do Banco Master se agravou após a prisão do pai, Henrique Vorcaro, na sexta fase da Operação Compliance Zero, na semana passada. A PF aponta que o esquema continuou ativo mesmo depois da primeira detenção de Daniel, com participação direta do pai. A defesa de Henrique classificou a prisão como excessiva e baseada em elementos “ainda não esclarecidos”.
Outro fator de tensão foi a quinta fase da operação, que cumpriu buscas em endereços ligados ao senador e presidente do PP, Ciro Nogueira, mencionado por Vorcaro em mensagens vazadas como “grande amigo”. Investigadores entendem que o ex-banqueiro evitou aprofundar informações sobre o parlamentar e sobre familiares de ministros do STF.
Valor bilionário em jogo
Para avançar, PF e Procuradoria-Geral da República cobram provas inéditas e a devolução de R$ 50 bilhões a R$ 60 bilhões, valor supostamente obtido por fraudes. Vorcaro, segundo interlocutores, teria pressa em repatriar ao menos R$ 40 bilhões mantidos em paraísos fiscais, temendo perda ou ocultação dos recursos antes da assinatura.
Mesmo com a delação emperrada, novas fases da Operação Master não estão descartadas. Milhares de documentos e cerca de 100 aparelhos eletrônicos apreendidos seguem em perícia; apenas cinco celulares de Vorcaro ainda aguardam análise completa.
Risco de rejeição
A percepção nos bastidores é de que a proposta atual tende a ser rejeitada, a menos que surjam fatos novos e robustos. Investigadores avaliam a possibilidade de o empresário reestruturar a oferta, mas apontam que a continuidade das supostas irregularidades após sua primeira prisão mina a credibilidade do acordo.
No caso de fracasso definitivo da colaboração, Vorcaro permanecerá em regime carcerário comum e poderá enfrentar transferência para unidades de segurança mais rígida.
Com informações de Gazeta do Povo