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Lideranças do Congresso freiam CPI do Banco Master e empurram discussão para depois das eleições

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Brasília, 25 de junho de 2026 – A criação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o Banco Master permanece paralisada há cinco meses no Congresso Nacional. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), adotam manobras regimentais e aproveitam o calendário eleitoral de 2026 para adiar o início das investigações.

Como o Senado segura o pedido

No Senado, o requerimento com assinaturas suficientes aguarda leitura em plenário desde janeiro. Alcolumbre afirma que, em ano eleitoral, “o Congresso não deve virar palanque”, argumento usado para postergar o ato que formalizaria a CPI.

Estratégia semelhante na Câmara

Na Câmara, Hugo Motta recorre ao critério da ordem cronológica dos pedidos de CPI. Com isso, o caso Master foi colocado no fim de uma lista que inclui comissões solicitadas anteriormente, protelando sua instalação.

Acerto político nos bastidores

Parlamentares relatam que o bloqueio ganhou força em abril, após entendimentos envolvendo votações relevantes. Em troca de não levar adiante a CPI, o Senado teria rejeitado a indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal e derrubado vetos presidenciais à Lei da Dosimetria.

Debate jurídico sobre obrigação de instalar CPIs

Especialistas e oposição lembram que decisões anteriores do Supremo Tribunal Federal determinam ser obrigatória a criação de CPI quando há número mínimo de assinaturas e fato determinado. Dessa forma, a leitura do requerimento não dependeria da vontade do presidente da Casa.

Influência do calendário eleitoral

Com a proximidade das eleições de 2026, líderes concentram esforços em pautas de apelo popular, como alterações no Benefício de Prestação Continuada (BPC) e mudanças na escala 6×1 de trabalho. A disputa por espaço na agenda legislativa acaba sufocando temas considerados negativos para a classe política.

Riscos para Alcolumbre e Motta

A postura de adiamento pode desgastar a capacidade de articulação dos dois presidentes. Hugo Motta corre o risco de se afastar da oposição por alinhar-se ao governo na tentativa de enterrar a CPI, enquanto Alcolumbre enfrenta críticas diretas em razão de supostas ligações de seu grupo político com investigados no escândalo do Banco Master.

A CPI seguirá travada enquanto as negociações de bastidor e a agenda eleitoral se sobrepuserem às pressões por investigação.

Com informações de Gazeta do Povo