Organizações não governamentais, entidades sindicais e portais identificados com PT e PCdoB passaram a divulgar, desde 2025, um programa de recrutamento que convida jovens brasileiras de 18 a 22 anos a trabalhar no polo industrial Alabuga Start, situado na República do Tartaristão, Rússia. O complexo produz drones e armamentos usados na guerra contra a Ucrânia e já foi bombardeado em 2024 e 2025.
O material promocional, publicado em páginas como Rede PT, Vermelho e no site da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino (Contee), destaca salário mensal de US$ 1.000, moradia, alimentação e formação técnica, sem mencionar que o destino é uma das maiores fábricas russas de drones do tipo Shahed, capazes de transportar até 90 kg de explosivos.
Recrutamento digital e apoio de influenciadores
Segundo a investigação, o primeiro esforço de captação no Brasil ocorreu no ano passado, principalmente via influenciadores nas redes sociais. Após denúncias de possível tráfico humano, parte das campanhas foi suspensa, mas a iniciativa foi retomada recentemente com novos perfis na internet.
Para se candidatar, as interessadas preenchem formulário online que solicita dados pessoais, passaporte, fotos e um vídeo explicando o motivo do interesse. A comunicação segue pelo Telegram ou por e-mail com supostos “especialistas de RH” do programa, que instruem as jovens a procurar a Embaixada da Rússia no Brasil para obter o passaporte.
Suspeitas internacionais e bombardeios
O think tank Global Initiative Against Transnational Organized Crime e órgãos de inteligência europeus monitoram o Alabuga Start por suspeita de tráfico de pessoas. Relatório divulgado em maio de 2025 cita relatos de retenção de documentos, restrição de mobilidade e contratos pouco transparentes.
A fábrica, instalada numa zona econômica especial, ampliou a produção de drones Shahed em parceria tecnológica com o Irã. Cada dispositivo custa cerca de US$ 20 mil. Para suprir mão de obra, o governo russo também recruta jovens em Uganda, África do Sul, Equador e Peru.
Veículos brasileiros que divulgaram o programa
Entre os sites que repercutem a oportunidade estão o portal Vermelho, ligado historicamente ao PCdoB; o Rede PT, mantido pela militância petista de Ribeirão Preto; e a Contee, presidida por Railton Nascimento Souza, ex-candidato a deputado federal pelo PCdoB-GO. A União Brasileira de Mulheres (UBM-SP), entidade feminista com relações com o PCdoB, também publicou posts favoráveis ao Alabuga Start.
A reportagem da Gazeta do Povo acionou esses veículos para comentário, mas não recebeu resposta até o fechamento desta matéria.
Com informações de Gazeta do Povo