Brasília — Os presidentes da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), passaram a priorizar votações de forte impacto popular como forma de esvaziar o movimento que pede a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre o Banco Master.
Controle da agenda legislativa
A principal estratégia dos comandantes das duas Casas é dominar a pauta de votações. Ao colocar em regime de urgência projetos que tratam de direitos trabalhistas e benefícios sociais, Motta e Alcolumbre deslocam o foco da imprensa e dos parlamentares, reduzindo o espaço para discussões sobre a CPI do Master.
Pautas de maior apelo
Na Câmara, ganhou velocidade a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que extingue a escala de trabalho 6×1, além de alterações no Benefício de Prestação Continuada (BPC). No Senado, Alcolumbre avançou com a CPI da Adultização da Infância e com debates sobre o teto salarial do Judiciário. Essas iniciativas ocupam comissões e o plenário, dificultando a coleta de assinaturas para novos inquéritos.
Origem do pedido de CPI
A investigação sobre o Banco Master foi solicitada após denúncias de operações financeiras suspeitas envolvendo a instituição e o empresário Daniel Vorcaro, que manteria relações com políticos de diferentes partidos. O tema causa desconforto tanto na base governista quanto na oposição, o que incentiva líderes a postergar sua análise.
Impacto do calendário eleitoral
Com as eleições de 2026 no horizonte, parlamentares evitam matérias impopulares e reforçam o chamado “populismo parlamentar”. Entre as bandeiras em discussão estão a correção da tabela do Imposto de Renda e programas de renegociação de dívidas, ações que falam diretamente ao eleitorado.
A combinação de projetos de alto apelo social e a proximidade do período eleitoral sustenta a estratégia de Motta e Alcolumbre de manter a CPI do Banco Master fora do centro do debate legislativo.
Com informações de Gazeta do Povo