O início da implantação do campo petrolífero Sea Lion, orçado em cerca de US$ 2 bilhões, deu novo fôlego à disputa de soberania entre Argentina e Reino Unido pelas Ilhas Malvinas. Localizado a aproximadamente 480 km da costa da Patagônia, o bloco foi descoberto em 2010 e deverá começar a produzir em 2028.
Impacto econômico previsto
Estudos citados por investidores apontam que, até 2032, a região poderá alcançar 50 mil barris diários. As receitas anuais de impostos e royalties no auge da produção são estimadas em 280 milhões de libras — o equivalente a cerca de 80 mil libras para cada um dos 3.500 habitantes. O governo local, que desfruta de autonomia administrativa sob tutela britânica, afirma que parte dos recursos bancará a defesa do território e a manutenção da guarnição militar do Reino Unido.
Reação de Buenos Aires
O presidente argentino Javier Milei classificou o empreendimento como “unilateral e ilegítimo” e prometeu ações diplomáticas para interromper o projeto. Buenos Aires invoca a Resolução 31/49 da Assembleia Geral da ONU, que recomenda a ambas as partes evitar medidas capazes de alterar o status das ilhas enquanto o litígio não for resolvido. Para a Argentina, a autorização para a exploração contraria essa orientação; Londres discorda.
Posicionamento britânico
O governo do Reino Unido sustenta que os moradores das Falkland Islands — denominação britânica para as Malvinas — têm direito de decidir sobre o uso de seus recursos naturais, amparados no princípio da autodeterminação. A operação será conduzida pela israelense Navitas Petroleum e pela britânica Rockhopper, proprietárias do campo.
Tensão renovada
A advogada e professora de Direito Internacional Renata Alvares Gaspar avalia que a perspectiva de um “boom” petrolífero tende a intensificar o impasse diplomático. Segundo ela, apesar de sinais de abertura para o diálogo por parte de Milei, as conversas com Londres não avançaram.
Contexto energético do Reino Unido
O projeto surge em momento de queda na exploração do Mar do Norte, onde a produção recuou cerca de 80% desde o início dos anos 2000. A política climática do governo trabalhista de Keir Starmer restringiu novas licenças, e nenhum poço foi perfurado em águas britânicas em 2025, segundo a consultoria Wood Mackenzie.
A escalada de tensão acontece poucos meses depois de manifestações pró-Argentina exibidas por jogadores durante uma semifinal da Copa do Mundo, episódio que já tinha reacendido o debate sobre a soberania das ilhas.
Com informações de Gazeta do Povo