Brasília — 17/07/2026, 23h49. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato do partido à Presidência da República, disse que o ex-presidente Jair Bolsonaro “foi enterrado vivo” depois que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), reforçou as limitações da prisão domiciliar do ex-chefe do Executivo.
Por decisão de Moraes, Jair Bolsonaro ficará 30 dias sem receber visitas e está proibido de fazer manifestações político-eleitorais até o término do pleito. O magistrado entendeu que a divulgação, nas redes sociais, de uma carta enviada pelo ex-presidente ao filho violou as medidas cautelares em vigor.
Em vídeo divulgado à noite, Flávio classificou a determinação como “ilegal, desproporcional, covarde e cruel”. Segundo ele, “Bolsonaro foi enterrado vivo, só com a cabeça para fora da terra, levando pontapés de Moraes”. O ministro também vetou visitas do próprio Flávio ao pai por 90 dias.
Moraes rebateu as críticas e definiu como “patéticas” as alegações de incomunicabilidade. No despacho de 18 páginas, protocolado cerca de uma hora após manifestação da Procuradoria-Geral da República, o ministro lembrou que o ex-presidente mora com a esposa, a filha e a enteada, além de contar diariamente com seguranças e uma cozinheira.
Repercussão entre aliados
O ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) apontou que, mesmo em situação de estado de defesa, a Constituição impede manter um preso incomunicável. Já o vereador carioca e pré-candidato ao Senado por Santa Catarina, Carlos Bolsonaro (PL-SC), observou que a ordem de Moraes foi emitida “em questão de segundos” após o parecer da PGR.
Jair Renan Bolsonaro, vereador de Balneário Camboriú (SC) e pré-candidato a deputado federal, comparou o caso ao do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2018. Segundo ele, enquanto Lula recebia políticos e artistas na prisão, seu pai “não pode receber um abraço de um filho dentro de casa”.
No Congresso, o líder da oposição, senador Rogério Marinho (PL-RN), acusou Moraes de transformar medidas judiciais em “instrumentos de silenciamento político”. O deputado André Fernandes (PL-CE) ironizou o episódio, dizendo tratar-se da “democracia pujante” em ano eleitoral. Para o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), as restrições demonstram tentativa de “violar direitos humanos” do “maior presidente que o Brasil já teve”.
As novas condições se somam às sanções impostas desde 27 de março, quando Jair Bolsonaro passou a cumprir pena em regime domiciliar, vigiado por agentes de segurança em tempo integral.
Com informações de Gazeta do Povo