A Oncoclínicas anunciou nesta quarta-feira, 22 de julho de 2026, a venda de sua fatia na Specialized Medical Treatment Company, rede de cuidados oncológicos sediada na Arábia Saudita. O negócio foi fechado por US$ 6,5 milhões, montante que será pago à vista pelo Al Faisaliah Group Holding Company e pela Advanced Drug Company for Pharmaceuticals.
Segundo comunicado ao mercado, a transação tem o objetivo de simplificar o portfólio e concentrar as operações no Brasil, aliviando a pressão sobre o caixa e evitando novos aportes no investimento internacional. A conclusão depende da aprovação das autoridades sauditas.
Recuperação extrajudicial em curso
A companhia entrou com pedido de recuperação extrajudicial em 13 de julho, diante de um endividamento estimado em R$ 5,1 bilhões. A crise de liquidez começou no início de 2025 e foi agravada por uma antecipação de recebíveis que consumiu R$ 330,5 milhões de caixa, além da redução no número de planos de saúde atendidos.
Pressão sobre estoques e prejuízo
Em março de 2026, a falta de recursos secou o estoque de medicamentos, obrigando compras emergenciais no varejo a preços superiores aos praticados pelo atacado. A manobra resultou em um prejuízo adicional de R$ 40 milhões.
Reestruturações em alta no país
O pedido da Oncoclínicas insere-se em uma onda de recuperações judiciais e extrajudiciais que atinge grandes empresas brasileiras, como Grupo Pão de Açúcar, Raízen, Braskem, Grupo Estrela e Oi S.A. Além dos efeitos prolongados da pandemia de Covid-19, companhias citam o nível elevado da taxa básica de juros (Selic) como fator de aceleração do endividamento.
Com a alienação do ativo saudita, a Oncoclínicas busca reforçar sua posição financeira enquanto negocia com credores e reorganiza suas operações no mercado doméstico.
Com informações de Gazeta do Povo