Cristãos da cidade de Suqaylabiyah, no noroeste da Síria, cancelaram todas as celebrações de Páscoa deste ano depois de um fim de semana marcado por ataques sectários.
O episódio teve início quando, segundo moradores, dois homens muçulmanos de uma localidade vizinha teriam importunado mulheres cristãs. Expulsos pelos habitantes, eles voltaram acompanhados de dezenas de motociclistas — alguns armados — e desencadearam uma onda de violência.
A multidão destruiu um santuário dedicado a Maria e danificou lojas, residências e veículos. Testemunhas relataram que integrantes das forças de segurança estariam entre os agressores.
Embora o atual governo sírio, liderado por um grupo dissidente da Al-Qaeda, prometa garantir os direitos das minorias, a presença de várias facções armadas após mais de dez anos de guerra civil tem dificultado o cumprimento desse compromisso. Desta vez, tropas governamentais conseguiram intervir e impedir novos ataques à cidade.
Em razão da violência, as igrejas Católica, Ortodoxa Grega e Ortodoxa Siríaca anunciaram o cancelamento de todos os eventos pascais programados.
Em nota, a organização Cristãos Sírios pela Paz pediu unidade entre os diferentes grupos religiosos e étnicos e cobrou do governo uma “iniciativa séria de diálogo nacional”, além de leis que criminalizem o sectarismo e o discurso de ódio.
Mervyn Thomas, presidente fundador da Christian Solidarity Worldwide, condenou os ataques e instou as autoridades sírias a intensificarem o combate ao extremismo, responsabilizando todos os envolvidos — especialmente os que pertencem às forças estatais. Ele também apelou à comunidade internacional para que pressione Damasco a proteger todos os cidadãos e melhorar a situação dos direitos humanos.
No Oriente Médio, o aumento das tensões também levou ao cancelamento de celebrações pascais em Israel, onde cristãos enfrentaram restrições mais rígidas impostas pelo governo local.
Com informações de Folha Gospel