São Paulo, 2 jul. 2026 – O reality show “As Patroas”, idealizado pelos influenciadores Viih Tube e Eliezer, foi retirado das redes menos de 24 horas após a estreia, em meio a fortes críticas sobre possíveis violações trabalhistas envolvendo 11 funcionários da casa do casal.
A atração, publicada no YouTube e no Instagram, colocava babás, motorista, cozinheira, lavadeira e governanta para competir por um prêmio de R$ 20 mil, uma motocicleta e benefícios como massagens, jantares e horários mais flexíveis. Na primeira prova, os participantes precisaram procurar moedas escondidas em um vaso sanitário e em uma lixeira, cena que gerou forte reação negativa do público.
Com a repercussão, os vídeos foram apagados na quarta-feira (1º). Em nota nas redes sociais, Eliezer afirmou que “as funcionárias não foram obrigadas nem coagidas a participar” e que todas estariam “felizes com a experiência”.
Especialista aponta riscos de dano moral
A advogada empresarial Thassya Prado, que atua na defesa de empresas, discordou da justificativa do casal. Segundo ela, a subordinação inerente ao contrato de trabalho impede que o consentimento dos empregados seja considerado totalmente livre.
Prado explica que, no Direito do Trabalho, não é necessário haver coação explícita para caracterizar pressão sobre o empregado. “Basta que ele compreenda, ainda que de forma implícita, que a recusa possa trazer consequências”, observou.
A especialista acrescenta que competições internas só se tornam ilegais quando expõem o trabalhador a situações degradantes ou humilhantes. A publicação do conteúdo em plataformas monetizadas agrava o quadro, pois transforma a imagem do funcionário em produto comercial, o que exigiria contrato específico e pagamento adicional.
Uso de imagem sem contrato pode gerar indenização
De acordo com a advogada, a cessão de imagem durante a jornada exige consentimento destacado da relação de emprego. “O funcionário precisa ter liberdade real para negar a participação, sem medo de retaliações”, pontuou.
Até o momento, Viih Tube e Eliezer não anunciaram se pretendem retomar o projeto em outro formato. Também não há informações sobre eventuais ações judiciais movidas pelos empregados.
Com informações de Pleno.News