Um cristão sudanês, filho de um pastor local, foi preso em Cartum depois de ser alvo de uma acusação considerada falsa pela missão brasileira MAIS — Missão em Apoio à Igreja Sofredora. Segundo a entidade, a iniciativa partiu da família muçulmana da esposa do rapaz, que se opõe ao casamento e tenta forçar a mulher a pedir divórcio.
O caso veio a público por meio de um vídeo divulgado por um dos líderes da missão, que classificou a denúncia como “mera justificativa” para a detenção. A esposa do jovem estaria mantida em cárcere privado pelos próprios parentes, que exigem o fim da união.
A MAIS informou que trabalha em três frentes para garantir a liberdade e a segurança do casal: mobilização de orações, intercessão pela esposa mantida em cativeiro e arrecadação de cerca de 5 mil dólares (mais de R$ 25 mil) destinados à fiança e à retirada do país.
Contexto de perseguição religiosa
O Sudão ocupa a 4ª posição na Lista Mundial da Perseguição 2026, elaborada pela organização Portas Abertas. Desde o golpe militar de 2021, o governo ampliou restrições à liberdade religiosa, reforçando leis islâmicas e nomeando líderes conservadores para cargos estratégicos.
A guerra civil iniciada em 2023 agravou o cenário, criando um vácuo de poder explorado por milícias que intensificaram ataques contra cristãos. Há relatos de bombardeios e invasões a igrejas, além do uso desses templos como bases militares. Conversos do islamismo relatam isolamento, violência e rejeição familiar, enquanto líderes religiosos e fiéis estrangeiros enfrentam detenções frequentes.
Com informações de Folha Gospel