O Partido Comunista da China (PCC) iniciou uma revisão da Bíblia com o objetivo declarado de inserir “valores socialistas” e eliminar passagens que contrariem a ideologia oficial, informaram organizações de defesa da liberdade religiosa.
Segundo a Hardwired Global, a medida busca confundir fiéis e dificultar novas conversões ao cristianismo. Tina Ramirez, fundadora da entidade, lembra que tentativas anteriores de forçar cristãos a renunciar à fé resultaram na expansão da igreja underground no país. Diante disso, o governo passou a concentrar esforços no texto sagrado.
Um dos exemplos mais citados da mudança aparece em um livro didático do ensino médio. A versão revisada do capítulo 8 do Evangelho de João, que narra o episódio da mulher adúltera, substitui o perdão por violência: após dispensar a multidão, Jesus apedreja a mulher e declara: “Eu também sou pecador”.
Bob Fu, presidente da organização ChinaAid, relata que a campanha inclui a proibição total de Bíblias para crianças e a retirada de aplicativos bíblicos das plataformas de comércio eletrônico no país. De acordo com Fu, milhares de crianças cristãs foram obrigadas a assinar declarações públicas renunciando à própria fé.
Para Todd Nettleton, porta-voz da missão Voz dos Mártires, o controle é a principal motivação do PCC. Ele afirma que o partido vê o Evangelho como uma ameaça à sua autoridade e, ao incorporar um viés socialista à nova tradução, tenta subordinar o cristianismo aos interesses estatais.
Mesmo sob pressão, pastores locais relatam crescimento das comunidades cristãs. Um líder que preferiu não se identificar disse acreditar que o governo “escolheu um inimigo que não pode ser aprisionado” e que a perseguição acaba incentivando a expansão da igreja, hoje estimada em número superior ao de filiados ao próprio partido.
Com informações de Folha Gospel