Home / Notícias / Papa Leão 14 pede perdão pelo papel histórico da Igreja Católica na escravidão

Papa Leão 14 pede perdão pelo papel histórico da Igreja Católica na escravidão

ocrente 1779746734
Spread the love

O papa Leão 14 apresentou nesta segunda-feira (25) um pedido público de desculpas pelo envolvimento da Igreja Católica na escravidão. Em pronunciamento inserido em sua encíclica de estreia, Magnifica humanitas, o pontífice reconheceu que a instituição demorou séculos para condenar a prática e chegou a legitimá-la em diferentes períodos.

Por isso, em nome da Igreja, eu sinceramente peço perdão”, declarou. Leão 14 descreveu o legado da escravidão como “uma ferida na memória cristã” e lamentou o sofrimento imposto a milhões de pessoas escravizadas.

Colaboração e omissão

O papa admitiu que autoridades eclesiásticas, em vários momentos da história, colaboraram com governantes para regulamentar e legitimar formas de subjugação, inclusive a escravização de não cristãos. Também lembrou que ordens religiosas e outras instituições da Igreja possuíram escravos durante a Idade Média.

A condenação “formal, absoluta e universal” da escravidão pela Igreja só foi proclamada no século 19, durante o pontificado de Leão 13. Para o atual papa, o período anterior foi marcado por “inconsistência no ensino e na prática”.

Admissão inédita

A declaração é considerada a mais direta já feita por um pontífice sobre a responsabilidade institucional da Santa Sé. Em 1985, João Paulo 2º havia pedido perdão aos africanos pelo comércio transatlântico de escravos promovido por nações cristãs, enquanto o papa Francisco condenou a escravidão moderna e rejeitou bulas papais do século 15 que sustentaram empreendimentos coloniais, mas sem abordar explicitamente a culpa do Vaticano.

Ensaio sobre futuro e passado

A encíclica Magnifica humanitas dedica-se ainda aos desafios éticos da inteligência artificial e alerta para novas formas de exploração na economia global. Após a eleição de Leão 14, um estudo genealógico revelou que o primeiro papa nascido nos Estados Unidos tem ascendência que inclui tanto pessoas escravizadas quanto proprietários de escravos.

A nota de retratação encerra um capítulo histórico e lança luz sobre a postura da Igreja diante de antigas e novas formas de servidão.

Com informações de Folha Gospel