O papa Leão 14 apresentou nesta segunda-feira (25) um pedido público de desculpas pelo envolvimento da Igreja Católica na escravidão. Em pronunciamento inserido em sua encíclica de estreia, Magnifica humanitas, o pontífice reconheceu que a instituição demorou séculos para condenar a prática e chegou a legitimá-la em diferentes períodos.
“Por isso, em nome da Igreja, eu sinceramente peço perdão”, declarou. Leão 14 descreveu o legado da escravidão como “uma ferida na memória cristã” e lamentou o sofrimento imposto a milhões de pessoas escravizadas.
Colaboração e omissão
O papa admitiu que autoridades eclesiásticas, em vários momentos da história, colaboraram com governantes para regulamentar e legitimar formas de subjugação, inclusive a escravização de não cristãos. Também lembrou que ordens religiosas e outras instituições da Igreja possuíram escravos durante a Idade Média.
A condenação “formal, absoluta e universal” da escravidão pela Igreja só foi proclamada no século 19, durante o pontificado de Leão 13. Para o atual papa, o período anterior foi marcado por “inconsistência no ensino e na prática”.
Admissão inédita
A declaração é considerada a mais direta já feita por um pontífice sobre a responsabilidade institucional da Santa Sé. Em 1985, João Paulo 2º havia pedido perdão aos africanos pelo comércio transatlântico de escravos promovido por nações cristãs, enquanto o papa Francisco condenou a escravidão moderna e rejeitou bulas papais do século 15 que sustentaram empreendimentos coloniais, mas sem abordar explicitamente a culpa do Vaticano.
Ensaio sobre futuro e passado
A encíclica Magnifica humanitas dedica-se ainda aos desafios éticos da inteligência artificial e alerta para novas formas de exploração na economia global. Após a eleição de Leão 14, um estudo genealógico revelou que o primeiro papa nascido nos Estados Unidos tem ascendência que inclui tanto pessoas escravizadas quanto proprietários de escravos.
A nota de retratação encerra um capítulo histórico e lança luz sobre a postura da Igreja diante de antigas e novas formas de servidão.
Com informações de Folha Gospel