Brasília — A Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão na 10ª fase da Operação Compliance Zero para coletar documentos que esclareçam o financiamento do longa-metragem “Dark Horse”, produção sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. A ação tem como alvo o publicitário Thiago Miranda e aprofunda as suspeitas de ligação financeira entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master.
Foco da investigação
Os investigadores procuram comprovar de onde vieram e para onde foram recursos destinados ao filme. Segundo a PF, mensagens de texto e áudios indicam que Flávio Bolsonaro negociou patrocínio com Vorcaro entre outubro e novembro de 2025. Documentos apreendidos sugerem que o banqueiro teria prometido aportar R$ 134 milhões, dos quais pelo menos R$ 62 milhões já teriam sido transferidos.
Papel de Thiago Miranda
De acordo com a decisão judicial, Miranda é apontado como articulador do primeiro encontro entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro, ocorrido em Brasília no fim de 2024. Além disso, ele teria contratado influenciadores digitais para defender o Banco Master e criticar o Banco Central em redes sociais.
Suspeitas no Supremo
O inquérito tramita no Supremo Tribunal Federal sob relatoria do ministro André Mendonça. Pedido apresentado pelo deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) questiona se o dinheiro aplicado na produção é proveniente de fraudes no Banco Master, levantando hipóteses de lavagem de dinheiro, existência de caixa paralelo e financiamento eleitoral antecipado. Parte dos valores também poderia, segundo o parlamentar, ter bancado ações do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) contra ministros do STF nos Estados Unidos.
Medidas autorizadas
André Mendonça autorizou o confisco de celulares, computadores e registros contábeis de Thiago Miranda, bem como o acesso a dados guardados em nuvem. Chamadas telefônicas e conversas por aplicativos poderão ser reconstruídas para rastrear a circulação do dinheiro entre o Banco Master e a produtora responsável por “Dark Horse”.
A Operação Compliance Zero concentra-se em apurações sobre o Banco Master e foi unificada no gabinete do ministro por decisão da Presidência do STF, que viu conexão direta entre os fatos investigados.
As diligências desta terça-feira marcam novo capítulo na tentativa da PF de mapear a rota dos recursos que sustentam o projeto cinematográfico e determinar se houve crime financeiro ou eleitoral.
Com informações de Gazeta do Povo