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Partido Missão aciona STF para obrigar União e estados a conter avanço de facções; Flávio Dino assume relatoria

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O Partido Missão, originado do Movimento Brasil Livre (MBL), protocolou em 27 de julho uma Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) no Supremo Tribunal Federal (STF) para que a União, os estados e o Distrito Federal sejam compelidos a adotar políticas públicas de combate ao domínio territorial exercido por facções criminosas. O pedido foi distribuído ao ministro Flávio Dino, que ficará responsável pela relatoria do caso.

Assinada pelo deputado federal Kim Kataguiri (Missão-SP), a petição sustenta que o país “caminha em marcha acelerada” para se tornar um narco-Estado, apontando falhas do poder público em manter a soberania sobre determinadas regiões e mencionando infiltração de organizações criminosas em estruturas governamentais.

Reconhecimento de “estado de coisas inconstitucional”

O principal objetivo da ação é o reconhecimento, pelo STF, de um “estado de coisas inconstitucional” na segurança pública. Esse enquadramento permitiria à Corte instaurar um processo estrutural para monitorar a execução de políticas e metas, modelo já aplicado em ações sobre emendas parlamentares e salários de servidores que também estão sob a relatoria de Dino.

Pedidos específicos

Caso o Supremo aceite os pleitos, os entes federados terão de:

  • manter um banco de dados integrado e atualizado com o perfil de todos os presos, a exemplo do Sisdepen federal;
  • elaborar um plano de retomada de territórios dominados por facções;
  • implementar um plano de segurança para presídios federais;
  • aprovar lei que fixe metas para a área de segurança pública, prevendo responsabilização de gestores que descumprirem os objetivos.

A sigla argumenta que, embora o Sistema Único de Segurança Pública (Susp) já obrigue a existência de um Plano Nacional de Segurança — o atual, editado em 2021, vale até 2030 —, não há dispositivo que puna dirigentes que não atinjam as metas.

Críticas à esquerda e sorteio da relatoria

No texto, o partido também atribui parte do problema a uma suposta “romantização” do crime organizado em manifestações culturais, citando o funk e a “arte marginal”, e critica correntes ideológicas de esquerda que, segundo a ação, veriam o criminoso como “novo proletário”.

Por sorteio, o caso foi entregue ao ministro Flávio Dino, ex-filado ao PT e ao PCdoB e hoje no PSB. Quando indicou Dino ao STF, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) destacou o histórico comunista do magistrado.

O pedido inclui solicitação de liminar para que as medidas de retomada de territórios e segurança em presídios federais comecem a ser adotadas imediatamente, antes do julgamento de mérito.

Ainda não há data para análise da liminar nem para julgamento final da ação.

Com informações de Gazeta do Povo