O governo do Irã chamou neste domingo (26) o encarregado de negócios da Ucrânia em Teerã para protestar contra um suposto ataque a um navio mercante iraniano no Mar Cáspio, ação que, segundo as autoridades persas, matou um marinheiro e feriu outro.
A convocação foi conduzida por Manuchehr Moradi, assessor do ministro das Relações Exteriores e diretor-geral para a Eurásia. Durante a reunião, Moradi entregou ao diplomata ucraniano um “forte protesto” e classificou o incidente como um ato “hostil e criminoso”.
Teerã afirma que a ofensiva viola a Carta das Nações Unidas e representa um “ato de agressão” com potencial para ampliar o conflito na região. O Ministério das Relações Exteriores iraniano declarou que a Ucrânia estaria “agindo em nome de Israel” com o objetivo de “arrastar a Europa para uma guerra maior”.
Em nota, o ministério advertiu que o Irã “defenderá firmemente” sua segurança e interesses nacionais, prometendo responder a qualquer ataque contra cidadãos ou bens iranianos. A diplomacia de Teerã também responsabilizou Kiev e seus aliados por eventuais consequências.
Os iranianos sustentam ainda que o ataque foi “publicamente reconhecido” pelo presidente ucraniano Volodymyr Zelensky, apresentado como prova da “abordagem irracional e hostil” de Kiev. No sábado (25), Zelensky declarou que a Ucrânia atingiu um navio de guerra russo e embarcações usadas para transportar carga militar ligada ao Irã no Mar Cáspio, sem, porém, detalhar quais alvos foram atingidos.
A chancelaria iraniana reiterou que Teerã “nunca interveio” na guerra entre Rússia e Ucrânia e pediu ao Conselho de Segurança da ONU e a países europeus que condenem as ações ucranianas. “Ao atacar um navio mercante iraniano, o regime ucraniano não apenas violou o direito internacional, como também busca, de forma perigosa, intensificar a guerra e a insegurança”, diz o comunicado.
Desde o início da invasão russa, Kiev acusa o Irã de fornecer drones à Rússia. Por sua vez, a Ucrânia também critica o apoio militar russo a Teerã no contexto dos confrontos envolvendo Israel e Estados Unidos.
Não houve, até o momento, confirmação independente sobre o navio atacado nem posicionamento oficial da Ucrânia em resposta à convocação diplomática.
Com informações de Gazeta do Povo