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Catedral de St. Paul firmou parceria com boate e gera polêmica entre cristãos

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A Catedral de St. Paul, um dos ícones da arquitetura religiosa em Londres, firmou um acordo de quatro anos com a boate Fabric para a realização de eventos de música contemporânea em seu interior. A primeira apresentação está agendada para o dia 29 de outubro, embora o artista ainda não tenha sido revelado. Essa parceria gerou controvérsias, especialmente entre cristãos e defensores do patrimônio histórico, que criticam a utilização de um espaço sagrado para eventos associados à vida noturna.

Os organizadores afirmam que a proposta visa atrair novos públicos para a catedral, oferecendo uma programação diversificada com artistas de várias origens e estilos musicais. Sandra Lynes Timbrell, diretora de engajamento de visitantes da catedral, defendeu a iniciativa como uma oportunidade de apresentar o templo a pessoas que ainda não o conhecem, ressaltando que os eventos proporcionarão experiências memoráveis em um local icônico.

No entanto, a decisão enfrentou forte resistência. Peregrine Hood, presidente da Nelson Society e descendente do almirante Horatio Nelson, enterrado na cripta da catedral, expressou preocupação com a perda do caráter religioso do espaço. Ele afirmou que a iniciativa reflete um estado lamentável da integridade espiritual e do cristianismo, destacando a importância histórica da catedral.

Outra voz crítica, Andy Smith, também da Nelson Society, argumentou que a realização de eventos desse tipo ofende a memória das pessoas sepultadas na catedral. A administração da Catedral de St. Paul, por sua vez, garantiu que os eventos ocorrerão com o público sentado e fora da cripta onde está o túmulo de Nelson.

A polêmica em Londres se insere em um contexto mais amplo, onde outras catedrais britânicas também têm enfrentado críticas por eventos semelhantes. A Catedral de Canterbury, por exemplo, começou a receber festas conhecidas como “silent discos”, que geraram uma petição contrária com mais de 1.600 assinaturas.

Críticos também apontaram o histórico da Fabric, que teve sua licença revogada em 2016 devido a problemas relacionados ao uso de drogas. O teólogo Jacob Phillips questionou se a parceria realmente contribuiria para a aproximação do público à fé cristã, enquanto o ex-capelão da rainha Elizabeth II, Gavin Ashenden, considerou a colaboração um sinal de degradação da identidade cristã da catedral.

Apesar das críticas, a administração da catedral acredita que a parceria pode apresentar o espaço a um público mais amplo. A Catedral de St. Paul, construída após o Grande Incêndio de Londres em 1666 e projetada por Christopher Wren, é um marco na história britânica, tendo sido palco de eventos significativos como o funeral de Winston Churchill e o casamento do príncipe Charles com Diana Spencer.

Fonte: Folha Gospel.