Moscou – Um veterano do Exército russo afirmou em vídeo que oficiais destacados para a guerra na Ucrânia mantêm soldados em cativeiro, praticam tortura e chegam a executar militares que se recusam a cumprir ordens consideradas “suicidas” ou que não pagam propina aos superiores.
A denúncia partiu de Alexander Lunin, ex-combatente que vive na região de Voronezh, no oeste da Rússia. A gravação, publicada nas redes sociais na quinta-feira (25), ultrapassou 12 milhões de visualizações em 24 horas e provocou reação do Kremlin nesta sexta-feira (26).
Fardado e ostentando várias medalhas, Lunin declarou que “milhares de soldados” enviados ao front estariam sendo “espancados, torturados e mortos” pelos próprios comandantes. Segundo ele, as execuções são posteriormente registradas como casos de militares “desaparecidos em combate”.
Pedido direto a Putin
Durante transmissão ao vivo, o veterano solicitou audiência pessoal com o presidente Vladimir Putin. Lunin avisou que, caso o encontro não ocorra “em breve”, as tropas poderiam “voltar as armas contra o Kremlin”.
Kremlin diz que vai analisar vídeo
Questionado sobre o caso, o porta-voz presidencial Dmitry Peskov confirmou ter recebido informações a respeito da gravação, mas afirmou que o governo “ainda não teve oportunidade de analisá-la”. “Portanto, prefiro não comentar”, declarou Peskov, acrescentando que, pelo relato de jornalistas, o conteúdo parece conter “formulações bastante estranhas”.
O Exército russo não se pronunciou sobre as alegações até a publicação desta reportagem.
Com informações de Gazeta do Povo