Washington – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta terça-feira (21) a extensão, sem data para terminar, do cessar-fogo firmado com o Irã no início de abril. A decisão foi divulgada em postagem na rede Truth Social e atende a um pedido do Paquistão, que atua como mediador entre os dois países.
O recuo veio poucas horas depois de o próprio Trump afirmar à CNBC que não pretendia prolongar a trégua, cujo prazo original venceria na quarta-feira (22). O chefe da Casa Branca declarou que a suspensão das hostilidades seguirá “até que Teerã apresente uma proposta formal” e as negociações sejam concluídas.
Bloqueio naval permanece
A prorrogação não alterou as condições militares impostas pelos EUA. O bloqueio naval americano no Estreito de Ormuz, determinado após o fracasso da primeira rodada de negociações em 11 e 12 de abril, continua em vigor. Trump ordenou às Forças Armadas que permaneçam “prontas e aptas” para agir.
No domingo, militares dos EUA apreenderam um navio-contêiner iraniano — a primeira interceptação desde o início do bloqueio. O comando iraniano classificou a ação como pirataria e violação do cessar-fogo, segundo a Associated Press.
Negociações emperradas
A nova tentativa de diálogo travou antes mesmo de começar. O vice-presidente J. D. Vance cancelou viagem a Islamabad, onde ocorreria uma segunda rodada de conversas. Teerã condiciona sua participação ao fim do bloqueio, considerado “ato de guerra” pelo ministro iraniano das Relações Exteriores, Abbas Araghchi.
O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, que lidera a delegação de seu país, declarou que o Irã “não aceita negociações sob a sombra da ameaça”.
Reunião na Casa Branca
Antes de anunciar a prorrogação, Trump reuniu na Casa Branca o Conselho de Segurança Nacional. Participaram o vice-presidente Vance, o secretário de Estado Marco Rubio, o secretário da Defesa Pete Hegseth e os enviados especiais Steve Witkoff e Jared Kushner.
Em entrevista anterior à CNBC, o presidente disse que “esperava continuar bombardeando” caso o prazo expirasse sem acordo e afirmou que considerava “altamente improvável” renovar a trégua.
Com informações de Gazeta do Povo