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Bispo de Quelimane é morto a tiros dentro da residência oficial em Moçambique

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Quelimane (Moçambique) — O bispo Osório Citora Afonso, de 54 anos, foi encontrado sem vida na residência episcopal nas primeiras horas de 6 de junho, após ser atingido por disparos de arma de fogo.

De acordo com o Serviço Nacional de Investigação Criminal (Sernic) da província da Zambézia, um grupo ainda não identificado de invasores entrou no imóvel e atirou contra o religioso, acertando-o no peito. O porta-voz do órgão, Maximino Amílcar, informou que os procedimentos investigativos já foram iniciados para identificar os autores e esclarecer as circunstâncias do crime.

Repercussão e primeiros ritos

O arcebispo Inácio Saúre, presidente da Conferência Episcopal de Moçambique, declarou que o bispo foi encontrado “morto em circunstâncias incomuns que ainda precisam ser esclarecidas” e pediu serenidade à comunidade católica. A primeira missa pelo descanso de Afonso foi celebrada em 6 de junho, na Catedral de Nossa Senhora do Livramento, em Quelimane. Informações sobre velório e funeral serão divulgadas posteriormente pelo colégio de consultores da diocese.

Trajetória eclesiástica

Afonso foi ordenado sacerdote em novembro de 2002, após estudos no Seminário Teológico São Eugênio de Mazenod, em Kinshasa, na República Democrática do Congo. Atuou como vigário, tesoureiro paroquial, formador de seminário e colaborador da nunciatura apostólica em Kinshasa.

Em 2017, foi nomeado oficial do Dicastério para a Evangelização, na seção dedicada à primeira evangelização e às novas igrejas particulares. Tornou-se bispo auxiliar de Maputo em setembro de 2023 e foi consagrado em 28 de janeiro de 2024 pelo cardeal Luis Antonio Tagle. Em julho de 2025 assumiu a Diocese de Quelimane e, desde 10 de abril de 2026, exercia também a função de administrador apostólico da Arquidiocese de Beira.

Manifestação de autoridades

O presidente de Moçambique, Daniel Chapo, classificou a morte como “perda irreparável para a sociedade moçambicana e para a comunidade cristã”, destacando a dedicação do bispo aos valores de paz e reconciliação.

Denúncias de violência em Cabo Delgado

Antes de morrer, Afonso havia alertado publicamente sobre a escalada da violência na província de Cabo Delgado. Em 12 de maio, à Agência Fides, descreveu repetidos ataques que aterrorizam a população local. Já em 23 de maio, durante visita pastoral à Paróquia de Nossa Senhora de Fátima, pediu ação urgente para conter os insurgentes, lamentando que “pessoas inocentes continuam morrendo” na região.

As investigações sobre o assassinato seguem sob responsabilidade do Sernic.

Com informações de Gazeta do Povo