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E-mail vazado aponta que Trump pode rever apoio dos EUA ao Reino Unido na disputa pelas Malvinas

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Washington, 25 abr. 2026 – Um e-mail interno do Pentágono, obtido pela agência Reuters, mostra que o governo Donald Trump avalia retirar o tradicional respaldo diplomático dos Estados Unidos ao Reino Unido na questão das Ilhas Falkland/Malvinas. A possível guinada é vista como resposta à falta de apoio de aliados europeus, sobretudo britânicos, às operações militares americanas contra o Irã.

Pressão sobre aliados da Otan

O documento vazado sugere que Washington poderá rever sua posição histórica de tratar o arquipélago como assunto bilateral entre Londres e Buenos Aires. A medida buscaria pressionar parceiros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) a “fazerem a sua parte” em conflitos nos quais os EUA estão envolvidos, segundo o porta-voz do Pentágono, Kingsley Wilson. A Espanha, governada pelo primeiro-ministro Pedro Sánchez, também estaria na mira, podendo até ser temporariamente suspensa da aliança militar.

Londres mantém posição inalterada

Em Londres, o governo do primeiro-ministro Keir Starmer reagiu afirmando que a soberania britânica sobre as ilhas “permanece inquestionável”. O porta-voz oficial lembrou o referendo de 2013, no qual a população local votou majoritariamente por permanecer sob domínio do Reino Unido, e reiterou que a autodeterminação dos habitantes é “fundamental”.

Entusiasmo em Buenos Aires

Na Argentina, o vazamento foi celebrado pelo presidente Javier Milei, aliado político de Trump. Em mensagem nas redes sociais, Milei afirmou: “As Malvinas foram, são e sempre serão argentinas”. O chanceler Pablo Quirno classificou a ocupação britânica de 1833 como “ato de força contrário ao direito internacional” e defendeu a retomada de negociações com Londres, rejeitando o princípio britânico de livre-determinação dos moradores do arquipélago.

Análise aponta recado diplomático

Para o especialista em Relações Internacionais Cezar Roedel, o vazamento tem caráter mais simbólico do que prático. Ele avalia que a iniciativa serve como alerta aos europeus, mas duvida de um impacto imediato na postura militar britânica. Roedel destaca ainda que, ao aproximar-se da Argentina de Milei, Washington reforça sua influência no Cone Sul e sinaliza nova prioridade estratégica para a América Latina.

Conflito histórico

A disputa pela soberania das Malvinas remonta ao século XIX e ganhou contornos bélicos em 1982, quando a Argentina, então sob ditadura militar, tomou as ilhas à força. O Reino Unido respondeu com uma força-tarefa naval que retomou o território após cerca de dois meses de combates, deixando 650 argentinos e 255 britânicos mortos.

Desde então, o tema permanece sensível tanto para os argentinos, que reivindicam o arquipélago, quanto para os britânicos, que o consideram parte integrante de seus territórios ultramarinos.

Com informações de Gazeta do Povo