Brasília — O ex-secretário nacional de Segurança Pública Mario Sarrubbo afirmou nesta segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026, que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sai politicamente enfraquecido depois das alterações feitas pela Câmara dos Deputados na Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública.
Ao deixar o Ministério da Justiça, Sarrubbo classificou o texto em discussão como “retrocesso” por reduzir o poder de coordenação da União sobre o Sistema Único de Segurança Pública (Susp). “A proposta buscava fortalecer o sistema e construir uma política nacional de segurança, que hoje falta ao Brasil”, disse em entrevista.
PEC mudou de rumo na Câmara
Apresentada em outubro de 2024 pelo então ministro da Justiça Ricardo Lewandowski, a PEC foi modificada pelo relator Mendonça Filho (União-PE) após resistência de governadores da oposição, que viam risco de interferência federal nas políticas estaduais.
Segundo o ex-secretário, as mudanças permitem acordos regionais isolados e afastam a ideia de integração nacional. A principal crítica no Palácio do Planalto é a retirada das alterações nos artigos 21 e 22 da Constituição, dispositivos que ampliariam a competência da União na área.
A expectativa é que o governo tente reverter o relatório a partir da reabertura dos trabalhos legislativos, com votação prevista para depois do carnaval.
Balanço da gestão e sucessão
Em dois anos no cargo, Sarrubbo destacou como avanços o envio da própria PEC e do Projeto de Lei Antifacção. Ele reconheceu, porém, falhas na divulgação de ações de integração policial. “Faltou uma comunicação mais efetiva desses projetos”, avaliou.
O ex-secretário também previu que a segurança pública será tema central das eleições de outubro, mas teme um debate contaminado pela polarização. Ele foi substituído por Francisco Lucas Costa Veloso e afirma sair “com sensação de dever cumprido”.
Com informações de Gazeta do Povo