Washington (30.abr.2026) – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, elevou o tom contra o chanceler alemão, Friedrich Merz, nesta quinta-feira (30). Em publicação na rede Truth Social, o republicano afirmou que o líder europeu deveria “gastar mais tempo acabando com a guerra Rússia/Ucrânia” e “consertando seu país, que está em crise”, em vez de “interferir com aqueles que estão eliminando a ameaça nuclear iraniana”.
Trump escreveu que os esforços americanos para impedir o avanço do programa nuclear do Irã tornarão o mundo, “inclusive a Alemanha”, mais seguro. As declarações ocorrem em meio a uma escalada verbal entre os dois dirigentes desde o início da semana.
Cenário de tensão bilateral
Na véspera, o presidente dos EUA já havia sinalizado a possibilidade de reduzir o contingente militar americano estacionado em território alemão. Segundo ele, uma decisão sobre o tema pode ser anunciada “nos próximos dias”.
A crise teve início quando Merz declarou que Washington não possui “estratégia coerente” para pôr fim à guerra no Oriente Médio e que Teerã estaria “humilhando” os Estados Unidos nas negociações de paz. O chanceler, que inicialmente apoiou os bombardeios conjuntos de EUA e Israel contra o Irã em 28 de fevereiro, passou a adotar discurso crítico, ampliando o atrito com Trump.
O norte-americano também reiterou que aliados europeus não atenderam ao pedido de apoio feito por Washington no conflito com Teerã, iniciado sem consulta prévia à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).
Economia alemã sob pressão
A Alemanha, maior economia da Europa, entrou em recessão em 2023 e 2024. Dados preliminares do Escritório Federal de Estatística (Destatis) indicam leve retomada de 0,3 % no primeiro trimestre de 2026, mas o país ainda enfrenta desafios em setores como imigração e energia – pontos citados pelo presidente americano.
A última vez que Trump e Merz se encontraram pessoalmente foi em 3 de março, durante reunião no Salão Oval da Casa Branca, marcada por clima já descrito como tenso por assessores de ambos os governos.
Com informações de Gazeta do Povo