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Tensão geopolítica impulsiona investimento militar e fortalece indústria bélica brasileira

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Os gastos militares no mundo avançaram 2,9 % em 2025 e somaram US$ 2,9 trilhões, 11º aumento anual consecutivo, segundo o Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo (Sipri). No Brasil, a alta foi quatro vezes maior: 13 %, elevando o orçamento de defesa a US$ 23,9 bilhões e puxando a demanda por equipamentos nacionais.

Exportações em ritmo acelerado

Em 2025, o Ministério da Defesa autorizou US$ 3,1 bilhões em vendas externas de material militar, 74 % acima de 2024. O salto é atribuído a programas estratégicos como caças Gripen, fragatas classe Tamandaré e o cargueiro KC-390 Millennium.

Embraer lidera a carteira de pedidos

Maior empresa do setor no país, a Embraer encerrou o 1º trimestre de 2026 com encomendas de US$ 4,4 bilhões, 5 % superiores ao mesmo período do ano passado. O KC-390 concentra 32 unidades para a Força Aérea Brasileira e clientes de oito nações europeias e asiáticas. Um contrato com os Emirados Árabes Unidos, que prevê dez aeronaves firmes e dez opções, marcou a primeira venda do modelo no Oriente Médio.

O A-29 Super Tucano soma 27 unidades pendentes, destinadas a Portugal, Filipinas e Uruguai. A fabricante também disputa licitação de US$ 11 bilhões na Índia para substituir cargueiros de origem soviética; o vencedor deve ser conhecido até o fim de 2027.

Avibrás retoma produção com novo aporte

Após paralisação de 1.281 dias, a Avibrás voltou a operar em abril graças a um investimento de R$ 300 milhões liderado por Joesley Batista, do grupo JBS. Rebatizada Avibrás Aeroco e classificada como empresa estratégica de defesa, a companhia de Jacareí (SP) passa a focar em tecnologia de propulsão e integração de mísseis.

Taurus mira expansão internacional

A Taurus Armas, de São Leopoldo (RS), conduz plano de quatro anos para diversificar mercados. A carteira da fabricante rondava US$ 100 milhões no fim de março, principalmente nos Estados Unidos. Na Índia, sua joint venture JD Taurus entregou 14 mil armas apenas no 1º trimestre. A empresa negocia a compra da turca Mertsav para dominar a produção de metralhadoras de grande calibre e atender Forças Armadas brasileiras.

Multinacionais ampliam presença no país

A sueca Saab e o conglomerado alemão ThyssenKrupp, ambos listados entre os 100 maiores do Sipri, reforçam operações locais. A Saab utiliza o Brasil como plataforma de exportação do caça Gripen; 15 das 36 aeronaves contratadas serão montadas em Gavião Peixoto (SP), com peças da unidade de São Bernardo do Campo. O governo brasileiro já manifestou interesse em adquirir outras 20 unidades.

Já a ThyssenKrupp, em sociedade com a Embraer, conduz o Programa de Fragatas Classe Tamandaré em Itajaí (SC). A primeira embarcação foi lançada em 24 de abril e outras três devem ficar prontas até 2029. O projeto reativou o polo naval catarinense, que hoje emprega mais de 4,9 mil trabalhadores diretos e gera cerca de 23 mil empregos indiretos.

Segundo o Sipri, o avanço brasileiro decorre principalmente de investimentos navais e do aumento de custos com pessoal militar, em especial após a compra de submarinos à França. O cenário internacional de conflitos e sanções mantém a demanda em alta e consolida o Brasil como fornecedor relevante no mercado global de defesa.

Com informações de Gazeta do Povo