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Prisão de Maduro destrava petróleo venezuelano e turbina exportações dos EUA em plena guerra com o Irã

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Os Estados Unidos estão prestes a alcançar um recorde histórico de exportação de petróleo bruto: 5,2 milhões de barris por dia em abril, volume cerca de 33% superior ao de março, segundo projeções do governo norte-americano. O salto acontece em meio às tensões provocadas pela guerra contra o Irã e tem relação direta com a recente mudança de cenário na Venezuela.

A operação que resultou na captura do ex-presidente Nicolás Maduro, em janeiro, recolocou Caracas no mercado internacional de energia. Acusado de narcotráfico pela Justiça norte-americana, o líder venezuelano foi removido do poder, abrindo caminho para a retomada de entendimentos com Washington.

Na sequência, a Casa Branca suspendeu sanções ao Banco Central da Venezuela para reativar o setor petrolífero local, medida alinhada ao plano do presidente Donald Trump de ampliar rapidamente a oferta global. A flexibilização permite negociações com companhias estrangeiras e alivia gargalos econômicos do país vizinho.

Com a volta do petróleo pesado venezuelano às refinarias da Costa do Golfo, as importações dos EUA aumentaram e, segundo Susan Bell, analista da Rystad Energy, tendem a empurrar o West Texas Intermediate (WTI) – óleo leve produzido por fraturamento hidráulico – para o mercado externo.

Nas últimas semanas, a norte-americana Chevron e a espanhola Repsol anunciaram acordos para acelerar atividades na Venezuela, reforçando a nova engrenagem comercial.

Manobra estratégica garante “rede de segurança”

Para Márcio Coimbra, CEO da Casa Política e ex-diretor da Apex-Brasil, a diplomacia energética de Washington foi uma “jogada de mestre”. Ao liberar espaço nas refinarias para o petróleo venezuelano, os EUA destinaram seu barril leve a clientes da Ásia e da Europa, fortalecendo a balança comercial e garantindo margem de manobra para ações punitivas contra o Irã.

João Alfredo Lopes Nyegray, professor da PUCPR, lembra que a medida aliviou a corrida global por barris após bloqueios no Estreito de Ormuz, mas não resolve integralmente o déficit. Os EUA exportam hoje cerca de 6 milhões de barris por dia, próximos do limite logístico, que inclui terminais, frota de navios e custos de frete.

Acordo semelhante com Teerã é improvável

Especialistas consideram os cenários venezuelano e iraniano distintos. Enquanto na Venezuela Washington aposta em presença empresarial e ajustes regulatórios, no caso iraniano prevalecem guerra, sanções e bloqueio marítimo, observa Nyegray. Assim, não se espera um entendimento nos mesmos moldes no curto prazo.

Ganhos externos, pressão interna

Mesmo como novo polo exportador, o consumidor norte-americano continua sujeito a referências internacionais, como o Brent. O fechamento de Ormuz gera choque de oferta que encarece transporte e bens no país, apesar dos lucros bilionários das petroleiras.

Atualmente, o galão de gasolina custa em média US$ 4,09 e o de diesel US$ 5,61, segundo a Associação Automobilística Americana (AAA). O Federal Reserve deve manter a taxa básica entre 3,50% e 3,75%, enquanto a inflação anual chegou a 3,3% em março, maior avanço mensal em quase quatro anos.

Trump minimizou os preços, afirmando que o mercado recuará “abaixo dos níveis pré-guerra” caso haja acordo com Teerã “em um ou dois dias”. No Congresso, o deputado Brad Sherman propôs suspender as exportações de petróleo para priorizar o mercado interno, ideia já descartada pela Casa Branca, que teme impacto nas refinarias.

Com informações de Gazeta do Povo