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Prisão de adolescente cristão de 16 anos escancara avanço da repressão religiosa em Cuba

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Havana — Jonathan David Muir Burgos, 16 anos, está detido desde março pelo governo cubano sob a acusação de sabotagem, sem que as autoridades apresentem provas. O caso amplia a preocupação de organizações de direitos humanos sobre a perseguição a cristãos na ilha.

Segundo relato da família, um investigador da polícia informou que a promotoria militar pode acrescentar novas acusações ao processo. A ONG Cubalex, que monitora presos políticos em Cuba, aponta violações às garantias previstas para menores de idade, como a falta de comunicação imediata aos pais sobre o paradeiro do jovem.

Transferências e intimidação

Burgos foi levado inicialmente para a prisão de Canaleta sem notificação familiar e, depois, devolvido ao Departamento de Investigação Técnica em Ciego de Ávila por “falta de condições” no presídio. Para a Cubalex, a mudança repentina configura método de intimidação e pressão psicológica.

Década de perseguição à família

De acordo com a Christian Solidarity Worldwide (CSW), sediada no Reino Unido, a família Muir Burgos enfrenta perseguição desde 2014. Entre as ações registradas estão detenções arbitrárias, vandalismo, vigilância constante e restrições à Igreja Tiempo de Cosecha, liderada pelo pastor Elier Muir Ávila, pai de Jonathan. A congregação opera fora do sistema religioso reconhecido pelo Estado.

Relatório de 2023 da Prisoners Defenders classifica a família como “ideologicamente perigosa”. O clima de medo provocou a saída de dezenas de fiéis da igreja nos últimos anos.

Outro pastor detido

Organizações denunciaram ainda a prisão do pastor Ronaldo Pérez Lora, em Matanzas, depois que ele transmitiu ao vivo mensagens bíblicas no YouTube conclamando orações pacíficas pela nação.

Acusações alternativas para mascarar motivo religioso

Marco Cruz, secretário-geral da Portas Abertas Brasil e América Latina, afirma que o governo cubano costuma usar acusações de desobediência civil, atividades políticas não autorizadas ou violações administrativas para evitar reconhecer motivação religiosa nas prisões e, assim, reduzir repercussão internacional.

Cruz ressalta que, embora a Constituição de 1992 declare Cuba como Estado laico, dispositivos amplos sobre ordem pública e segurança nacional são empregados para fechar igrejas domésticas, interromper cultos ou limitar projetos sociais cristãos.

Sistema de vigilância “artesanal”

Ao contrário da China, que utiliza tecnologia de ponta para controlar atividades religiosas, Cuba mantém um modelo baseado em informantes, pressão psicológica e vigilância presencial, considerado igualmente eficaz por organizações de direitos humanos.

Escalada após protestos de 2021

Após as manifestações de julho de 2021, foram registradas detenções arbitrárias, proibições de viagens internas e ao exterior, demissões em cargos estatais, multas e fechamento compulsório de templos. Na Lista Mundial da Perseguição 2026, da Portas Abertas, o país subiu do 26º para o 24º lugar.

Até o momento, Jonathan David Muir Burgos permanece sob custódia, e não há previsão de julgamento.

Com informações de Gazeta do Povo