O Brasil deverá ver as primeiras turbinas eólicas instaladas no alto-mar gerarem eletricidade apenas em 2036, prazo considerado factível pelo setor desde que o governo conclua ainda este ano a regulamentação infralegal do Marco Legal da Eólica Offshore (lei nº 15.097/2025).
A estimativa foi reforçada por Marcello Cabral, diretor de Novos Negócios da Associação Brasileira de Energia Eólica e Novas Tecnologias (ABEEólica). Segundo ele, qualquer atraso nos decretos e portarias que detalham critérios de licitação, seleção de áreas e exigências técnicas pode empurrar o cronograma para além da próxima década.
Interesse já manifestado
Mesmo sem regras definitivas, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) já recebeu 59 pedidos de licenciamento para parques offshore, que somam 135 gigawatts (GW) de potência — quase quatro vezes a capacidade instalada de todas as eólicas em terra do país, hoje em 35,9 GW. Os projetos se distribuem pelas regiões Nordeste (62 GW), Sul (53 GW) e Sudeste (19 GW).
Avanço global acelera
O Global Wind Report 2026, elaborado pelo Conselho Global de Energia Eólica (GWEC), aponta que, só em 2025, foram conectados 9,2 GW de capacidade eólica offshore no mundo, elevando o total para 92,3 GW. Desse volume, 52,3% estão na China, seguida por Reino Unido (18,4%), Alemanha (10,4%), Holanda (5,3%) e Taiwan (3,9%).
Potencial nacional supera 1,2 TW
Estudos preliminares indicam que a plataforma continental brasileira comporta mais de 1,2 terawatt (TW) de potencial técnico: 480 GW em áreas de fundação fixa (até 70 metros de profundidade) e outros 750 GW em sistemas flutuantes, adequados a águas profundas. “Temos alguns dos melhores ventos do mundo e experiência consolidada em eólica onshore”, ressalta Cabral.
Próximos passos regulatórios
No início de abril, o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aprovou diretrizes que tratam de distância mínima da costa, definição de áreas prioritárias e criação do Portal Único de Gestão de Áreas Offshore (PUG Offshore). O Ministério de Minas e Energia (MME) espera receber nas próximas semanas um diagnóstico e um plano de ação para incentivar investimentos.
Hoje, a energia eólica responde por cerca de 17% da matriz elétrica brasileira, mas todo o parque está em terra. O setor acredita que unidades no mar, próximas a grandes centros de consumo, podem reduzir perdas e complementar fontes já instaladas, desde que a fase regulatória seja concluída sem novos atrasos.
Com informações de Gazeta do Povo