Países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e Israel intensificaram restrições a veículos elétricos fabricados na China, alegando preocupações de segurança nacional e possíveis ações de espionagem. A medida ganhou força depois que relatórios de inteligência apontaram que os automóveis, equipados com câmeras, microfones, sensores e conexão permanente à internet, poderiam coletar e transmitir dados estratégicos ao governo de Pequim.
Temor de coleta e transmissão de dados
Autoridades ocidentais veem esses veículos como “smartphones sobre rodas”, capazes de mapear rotas de autoridades, instalações militares e infraestrutura crítica sem o conhecimento do usuário. Segundo documentos sigilosos citados por agências de defesa, as informações capturadas poderiam ser acessadas remotamente por serviços de inteligência chineses.
Medidas já adotadas
Polônia — proibiu a entrada de modelos chineses em bases militares para evitar vazamento de dados sensíveis.
Reino Unido — orientou militares a não manter conversas confidenciais dentro de veículos de origem chinesa.
Estados Unidos — vetaram a importação de automóveis que utilizem software ou sistemas de conectividade desenvolvidos na China ou na Rússia, citando vulnerabilidade à segurança nacional.
Israel — impediu o acesso desses carros a instalações militares, mesmo não sendo membro da Otan.
Risco de controle remoto
Pesquisas do Centro de Tecnologia e Inovação em Cibersegurança (CCTI) indicam que, além da coleta de dados, existe a possibilidade de sabotagem remota. Softwares embarcados poderiam permitir a paralisação do veículo ou interferência direta na condução em caso de conflito internacional.
BYD na lista do Pentágono
A fabricante chinesa BYD, que expande operações no Brasil, foi incluída pelo Departamento de Defesa dos EUA em uma relação de companhias com supostos vínculos ao Exército chinês. Washington alega que a empresa integra a política de “fusão civil-militar”, que prevê compartilhamento de tecnologia com as Forças Armadas da China. A montadora nega qualquer elo militar e classifica as acusações como infundadas.
Legislação chinesa permite acesso estatal
Especialistas lembram que a Lei Nacional de Inteligência da China, em vigor desde 2017, obriga empresas e cidadãos a cooperarem com órgãos de segurança quando solicitado. Dessa forma, o governo chinês pode legalmente exigir que montadoras entreguem dados gerados no exterior ou concedam acesso a sistemas de navegação e conectividade instalados nos carros.
As restrições, segundo fontes militares, devem permanecer enquanto não houver garantias técnicas de que os sistemas de comunicação desses veículos estejam blindados contra interferência estrangeira.
Com informações de Gazeta do Povo