Washington (EUA) – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva terá, nesta quinta-feira (7), sua primeira reunião oficial na Casa Branca com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em meio a uma relação marcada por cortesias públicas e atritos nos bastidores.
Troca de farpas e gestos de cordialidade
Nos últimos meses, Lula criticou abertamente ações de Washington no Irã e em Cuba, o que levou a respostas ásperas do governo americano. Também houve um episódio de expulsão mútua de agentes de segurança e imigração. Apesar disso, o encontro mais recente entre os dois líderes, em 25 de outubro, durante a cúpula da ASEAN em Kuala Lumpur (Malásia), foi amistoso, com sorrisos para as câmeras.
Climões em série
Trump soma uma coleção de situações embaraçosas em negociações bilaterais:
- Cobrou o rei Abdullah II da Jordânia a apresentar um plano para Gaza.
- Alfinetou o premiê indiano Narendra Modi por tarifas de importação ainda não revistas.
- Questionou o britânico Keir Starmer sobre políticas de liberdade de expressão.
- Fez referências à aparência da italiana Giorgia Meloni.
- Mencionou o ataque a Pearl Harbor ao falar com a premiê japonesa Sanae Takaichi.
Humilhação a Zelensky em 2025
Em fevereiro de 2025, Trump e o vice-presidente J. D. Vance expulsaram temporariamente o ucraniano Volodymyr Zelensky do Salão Oval. O motivo foi a recusa de Kiev em ceder terras raras sem garantias de segurança. O republicano acusou Zelensky de ingratidão pelo apoio militar americano.
Pressão sobre o Canadá
No mesmo ano, ao receber o premiê Mark Carney, Trump voltou a sugerir que o Canadá se tornasse o 51.º estado dos EUA. Diante da negativa – “o país não está à venda” –, o presidente ironizou: “nunca diga nunca”.
Expectativas para a conversa com Lula
A pauta desta quinta-feira inclui tarifas de importação e o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro. Assessores brasileiros temem que Trump use o encontro para impor condições em público, estratégia que costuma adotar para ganhar vantagem política ou comercial.
Com o histórico recente, o tom que prevalecerá na Casa Branca permanece imprevisível.
Com informações de Gazeta do Povo