As primeiras conversas presenciais entre Estados Unidos e Irã desde a assinatura do Memorando de Islamabad foram canceladas nesta sexta-feira (19), informou o Ministério das Relações Exteriores da Suíça.
A reunião, que ocorreria em território suíço, deixou de acontecer depois que o vice-presidente norte-americano, J.D. Vance, adiou sua viagem citando “problemas logísticos”. De acordo com uma fonte de um governo do Oriente Médio ouvida pela Associated Press, Teerã também desistiu do encontro devido à escalada de confrontos no Líbano e às declarações do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, que descartou a retirada das Forças de Defesa de Israel (FDI) do sul libanês, onde enfrentam o Hezbollah, aliado iraniano.
Conflito no Líbano se intensifica
Mesmo com a previsão de cessar-fogo em todas as frentes contida no memorando assinado na quarta-feira (17), a violência aumentou. As FDI relataram a morte de quatro soldados num ataque com drone do Hezbollah. Já o governo libanês contabilizou ao menos 18 mortos e 33 feridos em bombardeios israelenses nesta sexta-feira.
O ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben Gvir, reagiu nas redes sociais: “Para cada lágrima de uma mãe israelense, mil mães libanesas devem chorar. Todo o Líbano deve queimar! Com todo o respeito aos americanos, Israel deve deixar claro que o sangue dos nossos filhos e a segurança dos nossos cidadãos não estão à deriva”, escreveu no X.
Memorando de Islamabad
Firmado há dois dias, o acordo impõe o fim imediato dos combates, a liberação do Estreito de Ormuz e o encerramento do bloqueio naval dos EUA a portos iranianos. O texto também determina um prazo de até 60 dias, prorrogável por consenso, para Washington e Teerã chegarem a um entendimento definitivo. O programa nuclear iraniano permanece como o ponto mais sensível das negociações.
Ainda não há nova data para retomar o diálogo presencial entre norte-americanos e iranianos.
Com informações de Gazeta do Povo