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Kremlin manda imprensa abafar notícias sobre novas proibições na Rússia

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O governo russo determinou que veículos estatais e meios alinhados ao Kremlin diminuam a cobertura sobre proibições, restrições e multas adotadas recentemente no país. A orientação, revelada nesta quinta-feira (21/5/2026) pelo portal independente Meduza, inclui a recomendação explícita de evitar o uso da palavra “proibição” em reportagens e manchetes.

Segundo duas fontes ouvidas pelo Meduza, a ordem partiu do alto escalão do Kremlin em meio à queda na popularidade do presidente Vladimir Putin. O objetivo seria conter o desgaste provocado por bloqueios de internet e outras medidas restritivas aplicadas nos últimos meses.

A determinação prevê que o termo “proibição” só seja utilizado quando alguma medida for revogada — algo que, até agora, não ocorreu. Para driblar a regra, redações pró-governo passaram a substituir a expressão por palavras como “restrição” ou “limitação”.

Bloqueios de internet ampliam descontentamento

Em várias regiões, usuários relatam interrupções de internet que chegam a três dias consecutivos; em São Petersburgo, o problema foi particularmente intenso. Além disso, autoridades russas proibiram a gravação de imagens dos danos causados por ataques de drones ucranianos, norma que parte da população insiste em ignorar.

Um jornalista russo ouvido sob anonimato afirmou que a diretriz do Kremlin dificulta até mesmo reportagens sobre atos oficiais de governos locais, já que muitas decisões envolvem novas penalidades e sanções.

Clima eleitoral pressiona partido governista

A iniciativa ocorre a poucos meses das eleições legislativas de setembro. Pesquisas citadas pelo Meduza indicam que o Rússia Unida, base de sustentação de Putin no Parlamento, gira em torno de 30% das intenções de voto. O partido enfrenta críticas não apenas de legendas oposicionistas toleradas pelo regime, mas também de associações empresariais, jovens e blogueiros militares descontentes com os bloqueios a aplicativos como WhatsApp e Telegram e com a redução da velocidade das redes sociais.

Com informações de Gazeta do Povo