Deir al Balah (Gaza) – O grupo Hamas anunciou nesta segunda-feira, 6 de julho de 2026, a dissolução do gabinete que comandava a Faixa de Gaza desde 2007. A organização declarou aceitar que a administração do enclave passe para o Comitê Nacional para a Administração de Gaza (NCAG), formado por tecnocratas palestinos.
Em comunicado distribuído à imprensa, o Hamas informou estar “plenamente disposto” a transferir as responsabilidades governamentais ao NCAG, estrutura vinculada ao Conselho da Paz – órgão criado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante as negociações que levaram ao cessar-fogo de outubro de 2025. A entrada do comitê em Gaza, contudo, ainda depende de autorização de Israel.
Pelas redes sociais, o Conselho da Paz afirmou que avaliará o processo “por ações, não por promessas” e destacou que qualquer decisão precisa obedecer ao Roteiro para o Avanço da Governança, Segurança e Transição em Gaza. O órgão reiterou o princípio “uma autoridade, uma lei e uma arma”, exigindo o desarmamento completo do Hamas e a concentração de todo o arsenal sob comando do NCAG, conforme previsto no Plano Abrangente de Paz para Gaza e na Resolução 2.803 do Conselho de Segurança da ONU.
Segundo o Conselho, a transferência de poder só será considerada legítima se permitir que o comitê exerça o mandato de forma independente, inclusive tomando decisões administrativas e de governança sem interferência externa.
Os Estados Unidos já haviam confirmado, em janeiro, o início da segunda fase do acordo de cessar-fogo que encerrou os combates deflagrados em outubro de 2023 entre Israel e Hamas. Essa etapa inclui a desmilitarização do grupo, a formação de uma força internacional de estabilização e o estabelecimento do NCAG como autoridade interina no território.
O Hamas controlava Gaza havia 19 anos, desde que expulsou o Fatah do enclave logo após vencer as eleições de 2006.
Com informações de Gazeta do Povo