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EUA iniciam operação para remover minas no Estreito de Ormuz, rota de 20% do petróleo mundial

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O Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) informou neste sábado, 11 de abril, que deu início à retirada de minas no Estreito de Ormuz, passagem por onde circula cerca de 20% do petróleo comercializado globalmente. A operação ocorre enquanto Washington e Teerã negociam um acordo de paz que pode encerrar o atual conflito no Oriente Médio, hoje sob cessar-fogo temporário.

Duas embarcações da Marinha norte-americana, os destróieres USS Frank E. Peterson e USS Michael Murphy, já cruzaram o estreito para apoiar a missão. De acordo com o Centcom, drones subaquáticos serão acrescentados nos próximos dias para acelerar a varredura.

“Hoje começamos a estabelecer um novo corredor e em breve vamos compartilhar essa rota segura com a indústria marítima para garantir o fluxo do comércio”, declarou o almirante Brad Cooper, comandante do Centcom. Em publicação na rede Truth Social, o presidente Donald Trump acrescentou que os Estados Unidos “estão limpando o Estreito de Ormuz como um favor a países de todo o mundo” e afirmou que “os 28 barcos lançadores de minas do Irã já estão no fundo do mar”.

Desafios de localizar e neutralizar minas

Segundo Paul Heslop, do Serviço de Ação contra Minas das Nações Unidas, a desminagem marítima é mais complexa que a terrestre porque as correntes podem deslocar explosivos, contaminando áreas já tratadas. Para encontrar os artefatos, marinhas utilizam veículos operados remotamente que vasculham o leito com sonar. Em alguns casos, explosões controladas são provocadas à distância para detonar as minas, método mais rápido, porém menos preciso.

Análise do The New York Times aponta que o Irã empregou diferentes modelos de minas: flutuantes, presas por cabos logo abaixo da superfície, assentadas no fundo do mar ou fixadas diretamente no casco de navios por mergulhadores. A Agência de Inteligência de Defesa dos EUA calcula que Teerã possuía mais de 5 mil artefatos antes do início do conflito, em 28 de fevereiro.

Impacto na navegação e precedentes históricos

A navegação poderá ser retomada parcialmente durante a operação. Equipes vão mapear áreas seguras e balizar corredores com boias para orientar as embarcações. Especialistas lembram que tarefas desse tipo tendem a ser longas: após a Guerra do Golfo de 1991, uma força multinacional levou cerca de dois meses para limpar mais de mil minas espalhadas pelo Iraque no Golfo Pérsico, mesmo com tecnologia mais simples que a atual.

Tensão diplomática

O Ministério das Relações Exteriores do Irã declarou que um destróier americano teria recuado diante de ameaça iraniana, afirmação não confirmada pelo Centcom. Teerã insiste que o controle do estreito cabe exclusivamente ao país e classifica a presença naval dos EUA como risco ao cessar-fogo em vigor desde 7 de abril.

Com informações de Gazeta do Povo