Caracas – Redes de corrupção ligadas ao chavismo desviaram cerca de US$ 3,99 bilhões (R$ 20,3 bilhões) dos cofres venezuelanos para comprar ao menos 719 bens distribuídos em 21 países, revela relatório divulgado no fim de maio pela Transparência Venezuela, braço local da Transparência Internacional.
Os ativos foram identificados por autoridades internacionais entre 2009 e abril de 2026. A lista inclui contas bancárias, imóveis, carros de luxo, joias, relógios, obras de arte, aeronaves, iates, cavalos de raça e participações acionárias.
Parte dos bens já foi confiscada
Segundo o levantamento, 287 itens avaliados em aproximadamente US$ 1,31 bilhão (R$ 6,5 bilhões) foram confiscados de forma definitiva. Outros 432 permanecem congelados, bloqueados ou sujeitos a confisco, somando cerca de US$ 2,67 bilhões (R$ 13,4 bilhões).
Esquemas usados para drenar recursos públicos
A ONG detalha que ex-funcionários, empresários e operadores financeiros próximos ao governo utilizaram empresas de fachada, contratos falsos, propinas, laranjas, superfaturamento e movimentação de recursos por múltiplas contas bancárias para extrair dinheiro do Estado, sobretudo da estatal petrolífera Petróleos de Venezuela S.A. (Pdvsa).
Estados Unidos lideram confisco de ativos
Entre os países que já retiveram bens, os Estados Unidos aparecem na frente, com 274 ativos confiscados. Itália, Colômbia e Argentina figuram em seguida entre as jurisdições que bloquearam ou retiraram propriedades ligados aos investigados.
Proposta de fundo independente
A Transparência Venezuela defende a criação de um fundo autônomo para administrar os valores recuperados no exterior. A intenção é direcionar esses recursos, no futuro, para a reconstrução de escolas, hospitais e demais serviços públicos, caso o país volte a contar com uma estrutura institucional considerada legítima.
Com informações de Gazeta do Povo