Milhares de manifestantes marcharam pelo centro de Londres neste sábado, 16 de maio, em um ato batizado de Unite the Kingdom, convocado pelo ativista conservador Tommy Robinson. O protesto teve como alvos a imigração em massa, a crescente sensação de insegurança pública e a gestão do primeiro-ministro trabalhista Keir Starmer.
A Polícia Metropolitana estimou em 60 mil o número de participantes. Veículos britânicos falaram em cerca de 50 mil, enquanto organizadores afirmaram ter reunido mais de 100 mil pessoas.
O cortejo partiu da avenida Kingsway e avançou até as proximidades do Parlamento. Bandeiras do Reino Unido (Union Jack) e da Inglaterra, além de cruzes de madeira, dominaram o cenário. Gritos contra Starmer e críticas à política migratória do governo marcaram a passeata.
Discursos e apoio de Elon Musk
Em discurso, Robinson pediu que o engajamento das ruas se transforme em ação política até as eleições gerais previstas para 2029. Ele incentivou os presentes a se registrar para votar, filiar-se a partidos e disputar cargos locais.
O empresário Elon Musk, proprietário da rede X, compartilhou mensagens favoráveis ao protesto. No palanque, Robinson agradeceu: “Nada disso teria acontecido se não fosse por um homem. Obrigado, Elon, em nome da Grã-Bretanha”.
Medidas do governo e operação policial
Às vésperas da manifestação, Starmer barrou a entrada de 11 estrangeiros classificados pelo governo como agitadores de extrema-direita. O premiê declarou que o país vive “uma luta pela alma do Reino Unido” e acusou os organizadores de semear ódio e divisão.
Cerca de 4 mil policiais foram mobilizados, num dos maiores esquemas de segurança recentes na capital. A operação incluiu patrulhamento montado, cães, drones, helicópteros, veículos blindados e reconhecimento facial ao vivo em estações ferroviárias. A final da Copa da Inglaterra, em Wembley, e uma marcha pró-Palestina realizada no mesmo dia exigiram zonas de separação para evitar confrontos.
No balanço oficial, 43 pessoas foram presas, mas a polícia informou que os protestos transcorreram “em grande parte sem incidentes relevantes”.
Protesto paralelo pró-Palestina
Durante a marcha pró-Palestina, manifestantes entoaram frases como “morte às Forças de Defesa de Israel”. A Polícia Metropolitana investiga se cartazes e cânticos configuram crime de ódio.
Crise interna no Partido Trabalhista
O ato ocorreu em meio a crescente pressão sobre Starmer após a derrota trabalhista nas eleições locais deste mês, que deram vitória expressiva ao Reform UK, de Nigel Farage. Nos últimos dias, integrantes do gabinete deixaram seus cargos; o então secretário de Saúde, Wes Streeting, renunciou dizendo ter perdido a confiança no premiê e é cotado para disputar a liderança do partido.
Ao comentar o protesto no X, Tommy Robinson declarou que a manifestação foi pacífica e acusou Starmer e o prefeito de Londres, Sadiq Khan, de tentarem gerar tensão prévia. “A polícia foi ótima, a multidão foi ótima, sem problemas”, escreveu.
Os organizadores prometem novos atos nos próximos meses, mantendo a imigração e a segurança pública no centro do debate político britânico.
Com informações de Gazeta do Povo