Malé (Maldivas) – Cinco mergulhadores italianos desapareceram e foram dados como mortos após descerem a cerca de 50 metros de profundidade no atol Vaavu, nas Maldivas, na quinta-feira, 14 de maio de 2026. Dois dias depois, em 16 de maio, um sargento da Marinha local que participava das buscas também faleceu, elevando para seis o número de vítimas ligadas ao acidente, classificado pelas autoridades como o pior da história do arquipélago.
Descida além do limite permitido
O grupo deixou o liveaboard MV Duke of York e mergulhou no canal Devana Kandu, próximo à ilha de Alimathaa, a cerca de 100 quilômetros ao sul da capital, Malé. O objetivo era explorar um sistema de cavernas submersas composto por três câmaras interligadas. A profundidade atingida – aproximadamente 50 metros – supera o limite recreativo de 30 metros fixado pelas normas maldivas e entra na categoria de mergulho técnico, que exige autorização especial e equipamentos específicos. Segundo a operadora responsável pela embarcação, essa autorização não foi solicitada.
Vítimas identificadas
As autoridades das Maldivas confirmaram os nomes dos italianos:
- Monica Montefalcone, professora associada de ecologia marinha da Universidade de Gênova;
- Giorgia Sommacal, estudante de engenharia biomédica e filha de Montefalcone;
- Muriel Oddenino, pesquisadora;
- Federico Gualtieri, biólogo marinho recém-graduado;
- Gianluca Benedetti, instrutor de mergulho, cujo corpo foi localizado a 60 metros de profundidade no dia do acidente.
Montefalcone e Oddenino estavam no país para uma missão científica da Universidade de Gênova voltada ao monitoramento de ambientes tropicais, mas o mergulho fatal ocorreu fora do escopo da pesquisa.
Morte durante o resgate
Durante a operação de busca, classificada como “de altíssimo risco”, o sargento-mor Mohamed Mahudhee, das Forças de Defesa Nacional das Maldivas, apresentou sintomas de doença descompressiva após sucessivos mergulhos profundos. Levado a um hospital em Malé, ele não resistiu. Mahudhee havia apresentado o plano de resgate ao presidente maldivo, Mohamed Muizzu, um dia antes.
Operadora se defende e licença suspensa
A empresa italiana Albatros Top Boat, que comercializa o MV Duke of York, afirmou não ter conhecimento do mergulho além do limite permitido e negou ter autorizado a descida. Pressionado, o Ministério do Turismo e Aviação Civil das Maldivas suspendeu por tempo indeterminado a licença operacional da embarcação, que transportava outros 20 turistas italianos na data do acidente.
Reforço internacional
Após a morte do militar, as buscas foram temporariamente interrompidas e retomadas com apoio externo. Três mergulhadores finlandeses especializados em cavernas chegaram ao país no domingo, 17 de maio, a pedido do governo italiano. O ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, declarou que “tudo o que for possível” será feito para localizar e repatriar os corpos restantes.
As causas exatas do acidente e o motivo de o grupo ter ultrapassado o limite de 30 metros sem autorização permanecem sob investigação conjunta dos governos das Maldivas e da Itália.
Com informações de Gazeta do Povo