Madri (Espanha) – A espanhola Virgínia Pérez de Santana relatou que o marido, o dentista Miguel Pérez, afirmou ter recebido um “abraço de Deus” pouco antes de ser diagnosticado com um tumor cerebral agressivo em julho de 2024. O testemunho foi dado por Virgínia semanas após a morte de Miguel, ocorrida em 10 de março de 2026, aos 41 anos, na Clínica Universidade de Navarra.
Diagnóstico inesperado durante as férias
O casal passava férias com os três filhos – Virgínia, 5 anos; Miguel, 4; e María, 3 – quando o dentista começou a sentir fortes dores de cabeça e perda de mobilidade no braço esquerdo. No pronto-socorro, exames detectaram um tumor cerebral que exigia cirurgia imediata.
Segundo Virgínia, enquanto aguardava atendimento, o marido demonstrava grande apreensão. Ela se ausentou para informar os pais sobre a situação e, ao retornar, encontrou Miguel “sereno e sorridente”. Foi então que ele contou ter se ajoelhado na sala vazia e pedido: “Meu Deus, não me deixe sozinho”. Disse ter sentido calor percorrer o corpo e ouvido: “Estou com você; carrego sua cruz”. O episódio, descreveu ele, eliminou suas dúvidas e trouxe “paz absoluta”.
Fé renovada e rotina de oração
Após a cirurgia, Miguel recebeu alta 15 dias depois. Em casa, passou a rezar o terço diariamente, visitava outros pacientes com uma imagem da Virgem Peregrina de Schoenstatt e oferecia o sofrimento “por amor a Deus”, relatou a esposa. A biópsia confirmou que se tratava de um dos tumores cerebrais mais agressivos e sem cura.
Um grupo de quase 500 pessoas, formado por amigos e pais de colegas dos filhos, passou a rezar pela família. Embora consciente do prognóstico, Miguel manteve a serenidade, segundo Virgínia. “Ele nunca perguntou por que isso estava acontecendo”, disse.
Recidiva e últimos meses
Em julho de 2025, os médicos detectaram a volta do tumor. Sem opções terapêuticas, Miguel foi internado em cuidados paliativos em fevereiro de 2026 na Clínica Navarra, onde permaneceu até falecer em 10 de março. Durante a internação, não reclamou da dor, de acordo com relatos da equipe médica.
Miguel recebeu a unção dos enfermos pouco antes de morrer e pôde se despedir dos filhos. Para Virgínia, a experiência reforçou a fé da família: “A paz que vivemos não era comum”, afirmou.
Virgínia pretende compartilhar o testemunho com outras pessoas que enfrentam doenças graves. “Mesmo que não sintam fisicamente, Deus está ouvindo”, declarou.
Com informações de Gazeta do Povo