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Cuba endossa 176 mudanças econômicas sob forte pressão dos EUA

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19/06/2026 – O regime cubano aprovou nesta sexta-feira (19) o maior pacote de reformas econômicas das últimas quatro décadas. Ao todo, 176 medidas foram confirmadas em apenas uma semana pelo Comitê Central do Partido Comunista e depois ratificadas pela Assembleia Nacional, atendendo a um apelo público do ditador Miguel Díaz-Canel diante da pior crise energética e financeira vivida pelo país neste século.

Pressão de Washington e escassez de energia

Nos últimos seis meses, o governo norte-americano, comandado por Donald Trump, endureceu sanções e praticamente bloqueou a chegada de petróleo e derivados à ilha. A restrição agravou a falta de combustível e originou apagões históricos: dados da estatal União Elétrica de Cuba (UNE) indicam que algumas regiões recebem apenas duas horas de eletricidade a cada três dias, e a companhia estima que até 69% do território possa ficar simultaneamente sem luz nos horários de pico.

Principais pontos do pacote

As novas regras ampliam o espaço para o setor privado, oferecem incentivos a investidores estrangeiros e aumentam a autonomia de empresas estatais e governos municipais. O texto também modifica os ramos de turismo, agricultura, comércio exterior e mercado imobiliário.

Outra frente central é a tentativa de corrigir distorções do sistema monetário, hoje baseado em duas moedas com diferentes taxas oficiais e amplo mercado informal. Estão previstas ainda mudanças tributárias e a substituição gradual de subsídios universais por programas voltados aos mais vulneráveis.

Discurso de Díaz-Canel

Ao apresentar as medidas no Parlamento controlado pelo partido único, Díaz-Canel admitiu que o país vive “as horas mais difíceis deste século” e declarou ser “tempo de mudar tudo o que precisa ser mudado”. O líder negou que as medidas resultem de imposição externa, classificando-as como decisão soberana para modernizar a economia.

Próximos passos

Segundo a agência EFE, um grupo de especialistas, entre eles economistas críticos não alinhados ao governo, já foi criado para estudar novos ajustes que poderão ser anunciados nos próximos meses.

Com informações de Gazeta do Povo