A Copa do Mundo Fifa de 2026, organizada conjuntamente por Estados Unidos, Canadá e México, foi concebida com o discurso de união continental, mas o torneio tem exposto uma série de tensões políticas, migratórias e comerciais entre os três anfitriões.
Três cerimônias de abertura e choque cultural
Pela primeira vez, a competição começou com três cerimônias de abertura, uma em cada país. A quebra de protocolo reforçou o contraste cultural e diplomático entre os vizinhos norte-americanos.
Políticas migratórias em rota de colisão
Durante o campeonato, os Estados Unidos endureceram a concessão de vistos, afetando até delegações esportivas.
- Irã: mais de 15 membros da Federação de Futebol do Irã (FFIRI) tiveram vistos negados. A seleção transferiu sua base de treinamento para o México e apresentou queixa à Fifa. Washington flexibilizou a regra apenas nesta terça-feira (23/06), autorizando a entrada do time dois dias antes do próximo jogo.
- Somália: o árbitro Omar Abdulkadir foi barrado pelo Serviço de Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP) por supostos vínculos com terrorismo.
- Canadá: seguiu linha semelhante e vetou o ganês Thomas Partey, acusado de agressão sexual em Londres. O visto do marfinense Elye Wahi quase foi revogado por investigação de manipulação de resultados, mas o governo recuou.
- México: adotou postura de “portas abertas” e, até o momento, não registrou proibições de entrada.
Guerra comercial ameaça o USMCA
No ano passado, o governo do presidente Donald Trump impôs tarifas de 25% sobre produtos mexicanos e canadenses, acirrando a disputa e colocando em risco o Acordo Estados Unidos-México-Canadá (USMCA).
A revisão formal do tratado está marcada para 1º de julho. México e Canadá defendem a renovação até 2042; Trump sinaliza preferência por acordos bilaterais.
Enquanto isso, o primeiro-ministro canadense Mark Carney busca diversificar parcerias. Em janeiro, esteve em Pequim e assinou compromissos comerciais com a China, rival geopolítica de Washington.
Retórica inflamada de Washington
Trump também ampliou tensões diplomáticas com declarações de que gostaria de anexar o Canadá como 51º estado americano. Paralelamente, classificou cartéis mexicanos como organizações terroristas estrangeiras e ameaçou intervenção militar na fronteira.
A presidente mexicana Claudia Sheinbaum respondeu pedindo que “as pessoas não se deixem levar” pelas declarações do líder norte-americano, destacando que seu governo continua trabalhando para conter o crime organizado.
Com o torneio em andamento, os impasses mostram que, fora das quatro linhas, a prometida harmonia norte-americana ainda depende de uma costura política que vai muito além do futebol.
Com informações de Gazeta do Povo