O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça determinou que a Secretaria de Administração Penitenciária do Distrito Federal (Seape-DF) apresente, em até 48 horas, esclarecimentos sobre o relato de que agentes penais teriam oferecido delação premiada ao empresário Antonio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, preso no Complexo da Papuda, em Brasília.
Relato do detento
Antunes informou ao STF, na última sexta-feira (19), que foi retirado da cela por servidores que teriam questionado o motivo de ele ainda não ter colaborado com as investigações da chamada “Farra do INSS”, esquema de descontos ilegais em benefícios previdenciários. Antes do suposto diálogo, os agentes teriam revistado a cela do detento.
No despacho assinado na noite de segunda-feira (22), Mendonça exige que a Seape detalhe os fatos e, caso o episódio seja confirmado, identifique os servidores envolvidos. O processo tramita sob sigilo.
Posicionamento da Seape e da defesa
Procurada, a Seape informou ao jornal Valor Econômico que não comenta casos individuais, mas afirmou seguir protocolos operacionais nas unidades prisionais. A defesa de Antunes não se manifestou sobre o episódio.
Quem é o “Careca do INSS”
O empresário foi preso em setembro de 2025 durante a Operação Sem Desconto, da Polícia Federal (PF), que apura um esquema que pode ter desviado até R$ 6,3 bilhões de aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Em depoimento à CPMI do INSS no mesmo mês, Antunes negou participação no esquema e classificou a prisão preventiva como “medida extremamente grave” baseada em “premissa absolutamente equivocada”.
Ligações investigadas
A PF também apura se existe ligação entre Antunes e Fábio Luiz Lula da Silva, o Lulinha, além de uma viagem a Portugal paga por um lobista. A investigação aponta possível triangulação financeira e uso de empresas de fachada para movimentar recursos obtidos com fraudes previdenciárias. Em maio, a troca no comando da investigação gerou críticas sobre eventual interferência política.
A decisão de Mendonça marca mais um capítulo no caso, enquanto a Seape prepara a resposta dentro do prazo fixado pelo STF.
Com informações de Gazeta do Povo