Bogotá, 5 de julho de 2026 – O senador Iván Cepeda, candidato derrotado na eleição presidencial colombiana, declarou que promoverá um movimento de “desobediência civil” contra o presidente eleito, Abelardo de la Espriella. A afirmação foi feita em entrevista publicada neste domingo (5) pelo jornal Folha de S.Paulo.
Cepeda, integrante do Pacto Histórico — coalizão de esquerda que teve o ex-presidente Gustavo Petro como principal líder — alega que o pleito foi marcado por irregularidades e questiona a legitimidade de Espriella devido à dupla nacionalidade. “Ele é cidadão norte-americano e colombiano. No juramento para obter a cidadania dos EUA, compromete-se a colocar a Constituição dos Estados Unidos acima de qualquer outro interesse”, argumentou.
Segundo o senador, o vínculo com Washington criaria “graves obstáculos” para que o novo mandatário defenda a soberania colombiana, motivo pelo qual pretende organizar atos de resistência civil assim que Espriella assumir o cargo.
Pressão para renúncia da cidadania dos EUA
Na semana anterior, Cepeda já havia exigido que o presidente eleito renunciasse ao passaporte norte-americano e esclarecesse se trabalhou para agências de inteligência dos Estados Unidos — acusação para a qual não apresentou provas.
Divergências na apuração, mas reconhecimento do resultado
O senador destacou ainda uma discrepância de cerca de 800 mil votos entre a contagem inicial e o resultado final. Apesar da diferença, afirmou aceitar o desfecho oficial das urnas: “Reconhecemos os resultados com grandeza democrática, apesar de a diferença ser tão pequena”. Espriella conquistou a Presidência por vantagem aproximada de 250 mil votos, em uma das eleições mais acirradas da história recente do país.
Acusações de interferência externa
Cepeda atribuiu parte de sua derrota à suposta atuação do governo dos Estados Unidos e ao apoio do então presidente norte-americano Donald Trump a Espriella. “Houve uma intervenção absolutamente direta, descarada e sem vergonha do governo dos EUA”, declarou, sem apresentar documentação que comprove a influência estrangeira.
O parlamentar classificou o rival como representante da “extrema-direita” financiado “a partir de Miami” e criticou falas em que Espriella teria prometido “extraditar Gustavo Petro” e “estripar” a esquerda colombiana.
Cepeda reitera que não pretende anular o resultado oficial, mas pretende questionar a capacidade de Espriella governar enquanto detiver a cidadania norte-americana. A posse do novo presidente está marcada para agosto, quando o país encerrará o primeiro governo de esquerda de sua história, liderado por Petro.
Com informações de Gazeta do Povo