Brasília – A sucessão de vitórias eleitorais de líderes de direita na América do Sul tem ampliado a presença dos Estados Unidos em operações de segurança regional e colocado o governo brasileiro de Luiz Inácio Lula da Silva em posição de isolamento político.
Quem aderiu às parcerias com Washington
A Colômbia, que elegeu Abelardo de la Espriella, confirmou adesão imediata ao plano Escudo das Américas, coalizão coordenada pelos EUA para combater o crime organizado transnacional. O Peru, onde as pesquisas apontam a vantagem de Keiko Fujimori, tende a seguir o mesmo caminho. Argentina, Paraguai, Chile, Equador e El Salvador já mantêm acordos de cooperação militar e de segurança com a administração de Donald Trump.
O que é o plano Escudo das Américas
O projeto prevê compartilhamento de inteligência, operações conjuntas e, quando necessário, a presença de tropas norte-americanas para exercícios militares. Países governados por forças de esquerda, entre eles o Brasil, foram deixados de fora da iniciativa.
Por que o Brasil ficou de fora
O Palácio do Planalto resiste a classificar facções como Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho como organizações terroristas, receio que, segundo integrantes do governo, poderia abrir espaço para intervenções estrangeiras no território nacional. Essa postura, somada a declarações de Lula contrárias a Donald Trump, tem limitado a inserção brasileira nos novos arranjos de segurança sul-americanos.
Estratégia dos EUA para a região
A Casa Branca vê a América do Sul como área estratégica para conter o tráfico de drogas e a migração irregular que afeta diretamente o território norte-americano. Memorandos firmados com governos aliados permitem desde investigações conjuntas até exercícios militares em solo parceiro.
Apoio popular à guinada à direita
Levantamento do instituto Latinobarómetro aponta que o respaldo às forças de direita na América Latina atingiu o maior patamar em duas décadas, impulsionado pela insatisfação popular com o avanço da criminalidade.
Com os vizinhos se aproximando de Washington, diplomatas brasileiros veem um cenário de crescente isolamento, enquanto se intensificam operações de segurança transnacionais sem participação do Brasil.
Com informações de Gazeta do Povo