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Alemanha confirma retorno ao Brasil do fóssil do dinossauro Irritator challengeri

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Brasília e Berlim – Os governos do Brasil e da Alemanha anunciaram nesta quinta-feira (9) a repatriação do fóssil do dinossauro Irritator challengeri, mantido há mais de 30 anos no Museu Estatal de História Natural de Stuttgart.

Considerado um dos mais relevantes exemplares paleontológicos brasileiros, o fóssil deixou o país de maneira irregular em 1991, quando foi adquirido pelo museu alemão por meio de um comerciante particular, em desacordo com o decreto-lei brasileiro de 1942 que estabelece a posse estatal de todo material fossilífero encontrado no território nacional.

Mobilização científica

A articulação pela devolução envolveu pesquisadores da Universidade Regional do Cariri (URCA), da Universidade Federal do Piauí (UFPI), da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e da Sociedade Brasileira de Paleontologia (SBP), além do Ministério das Relações Exteriores. Uma carta aberta assinada por cerca de 260 especialistas e uma petição com aproximadamente 35 mil assinaturas foram enviadas às autoridades alemãs.

Em nota, a SBP classificou a decisão como “marco histórico” que reforça a soberania sobre o patrimônio científico nacional e estimula a cooperação internacional.

Destino cearense

Embora ainda não exista data definida para o traslado, a expectativa é que o exemplar seja incorporado ao acervo do Museu de Paleontologia Plácido Cidade Nuvens, em Santana do Cariri (CE), próximo à Chapada do Araripe, onde o animal viveu há cerca de 110 milhões de anos.

Dinossauro singular

Carnívoro da família dos espinossaurídeos, o Irritator challengeri media entre 6,5 e 8 metros de comprimento, podia chegar a 3 metros de altura e pesar até duas toneladas. O crânio alongado, com dentes cônicos, indica adaptação à captura de peixes e outras presas aquáticas.

O nome incomum surgiu em 1996, quando pesquisadores estrangeiros constataram que comerciantes ilegais haviam completado partes do crânio com gesso, prática que provocou “irritação” na equipe científica. O epíteto challengeri homenageia o Professor Challenger, personagem criado por Arthur Conan Doyle em “O Mundo Perdido”.

Valor de holótipo

O fóssil é o holótipo da espécie, ou seja, o exemplar de referência para sua descrição. Holótipos têm valor único na taxonomia e, segundo a legislação brasileira, não podem permanecer permanentemente fora do país. A retirada sem registro também comprometeu informações geológicas essenciais para reconstruir o ecossistema cretáceo da Chapada do Araripe.

Pressão por outras devoluções

A repatriação do Irritator reabre o debate sobre centenas de fósseis brasileiros que permanecem no exterior, muitos deles holótipos obtidos ilegalmente. O anúncio ocorre dois anos após o retorno do dinossauro Ubirajara jubatus, igualmente procedente da região do Araripe, devolvido ao Ceará em 2023.

Com o acordo agora formalizado, resta à comunidade científica aguardar a definição da data de traslado para que o fóssil volte a integrar o patrimônio brasileiro.

Com informações de Gazeta do Povo